segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Respiração

Respira ação. Ato de inspirar e expirar. Inspirando toda a vida do universo. Compartilhando o ar e suas minúsculas partículas. Inspirando a alegria e a dor.

Inspirando amigos e desconhecidos. Não há inimigos.
Inspirando raivas, amores, ternuras, terrores.
Inspirando o odor das matas e das carniças. A fragrância das flores e das fezes que se tornam o húmus de onde surgem as pétalas suaves e perfumadas.

Inspirando o céu e todos os seus anjos.
Inspirando a terra e todos os seus seres.
Inspirando dentro da terra e todos seus gases, fogo, calores.
Inspirando seu corpo e seus cheiros.
Inspirando dentro de sua mente fragrâncias e fedores.
Em cada inspiração, toda a vida se manifesta. Somos a vida.

A inspiração só acontece se os pulmões estiverem vazios. Vazios de si. Vazios do outro. Vazios de intenção. Abertos a receber o novo.

(Sempre Zen, Monja Coen)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ilustração: "Xaquiamuni Buda descendo a Montanha"









"No Zen nós temos o treinamento da ascensão da montanha e o treinamento da descida da montanha. O treinamento da subida da montanha é a viagem da luta para a ascensão, deixando o mundo para trás. À medida que sobe você lida com o constante diálogo interno, trabalha com a dor e o sofrimento que passa a reconhecer co
mo vindo de si mesmo(a).

As ferramentas que ajudam a alcançar o pico da montanha são a respiração, os koans (o koan é uma narrativa, diálogo, questão ou afirmação no Zen-Budismo que tem por fim revelar a Verdade) e os preceitos.

Então você chega ao grande topo místico, você conquistou a realização. Mas a realização não é muito útil no pico da montanha e, assim, o treinamento prossegue com a descida da montanha, com o retorno ao mundo. É lá que começamos a ver como a base absoluta da realidade influencia a nossa atividade diária. Descer a montanha é, sem dúvida, o aspecto mais longo da nossa prática - muito mais difícil do que perceber a natureza do universo, a natureza do eu. Uma coisa é ter um vislumbre (insight) e outra completamente diferente é realizá-lo em tudo que fazemos.
Realização é compaixão, a atividade da sabedoria no mundo."

Texto de John Daido Loori Roshi

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Continuação

Quando olhamos para uma folha de papel, pensamos que ela pertence à dimensão da existência. Houve um momento em que ela passou a existir, um momento na fábrica em que ela se tornou esta folha de papel. Mas antes da folha de papel nascer, o que ela era, nada? Será que o nada pode se tornar algo? Antes de ser reconhecível como uma folha de papel, deve ter sido outra coisa - um árvore, um galho, a luz do sol, as nuvens, a terra. Com certeza, em uma vida anterior, a folha de papel foi todas estas coisas. Se perguntarmos à folha de papel: "Conte-me suas aventuras", ela dirá: "Fale com uma flor, com a árvore ou com a nuvem, e ouça o que elas têm a dizer."

A história da folha de papel é semelhante a nossa história. Nós também temos muitas coisas maravilhosas para contar. Antes de nascermos, já estávamos em nossa mãe, em nosso pai e em nossos ancestrais. O koan "Qual era o seu rosto antes de seus pais nascerem?" é um convite a contemplar a questão com profundidade, tentando identificar a nós mesmos no tempo e no espaço. Estamos acostumados a pensar que não existíamos antes de nossos pais, que só começamos a existir quando nascemos. Mas já estávamos aqui de muitas maneiras. O dia de nosso nascimento foi apena um dia de continuação. Em vez de cantar todos os anos "Feliz Aniversário", deveríamos cantar "Feliz Continuação".

(A essência dos ensinamentos de Buda - Thich Nhat Hanh)


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os que criam uma falsa realidade em seus punhos vazios ou na ponta de seus dedos são pouco inteligentes e pueris

O que é a falta de inteligência? O fato de não poder mudar de acordo com os fenômenos, nem de se adaptar a seus movimentos.

Nós temos de compreender, temos de encontrar a verdade eterna, temos de assimilá-la. A maneira de encontrá-la não é nem única nem simples.

Estupidez: ver apenas um lado das coisas, como um cavalo que marcha com antolhos.

Estupidez: não poder criar, nem estar fresco como uma fonte no mundo do infinito.

Poder criar diante da mobilidade dos fenômenos reflete intuição, verdadeira liberdade, sabedoria. Sabedoria  criadora.

Segredo último das artes marciais, que não se limitam apenas à técnica de combate.

A verdadeira prática do Zen leva a viver uma vida criadora no mundo do infinito e do absoluto.

O que é infantilismo? As crianças não podem ter uma visão larga e ampla das coisas, nem uma compreensão profunda do futuro. Elas vêem apenas um pequeno ângulo. Assim sendo, compreendem apenas no nível do punho vazio ou da ponta dos dedos.

Nós podemos admirar o reflexo da lua no rio, mas não podemos pegá-la.

Não podemos levar nosso ouro em nosso caixão.

Uma bela mulher sem pele é como um coelho esfolado.

Nossa vida, segundo a expressão chinesa e japonesa, é como uma guerra de liliputianos ou como um combate sobre os chifres de uma serpente.

O lucro, a perda, a sorte, o azar, a pureza, a impureza... tudo isso é como um punho vazio.

(Shodoka, O Canto do Satori imediato - Yoka Daishi, tradução e comentários do Mestre Taisen Deshimaru Roshi, Pensamento)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A essência de Buda

Buda está presente aqui; não precisamos ir ao Pico do Abutre. Não nos iludimos com simples aparências externas. Para mim, Buda não é mera forma ou nome; Buda é uma realidade. Eu vivo com o Buda todos os dias. Quando estou comendo, sento-me com Buda. Quando caminho, vou com o Buda. E quando estou dando uma palestra sobre o darma, também estou vivendo com o Buda.

Eu não trocaria esta essência do Buda pela chance de ver a forma externa dele. Não precisamos procurar às pressas uma agência de turismo, voar par a Índia e subir o Pico do Abutre para ver o Buda. Por mais atraentes que sejam os anúncios das agências, eles podem ser enganosos. Nós temos o Buda diretamente conosco aqui. Sempre que praticamos a meditação andando, podemos tomar a mão de Buda e caminhar com ele. Eis por que no budismo podemos dizer: "Nós desfrutamos de nossa caminhada até a dimensão última, segurando na mão do Buda".

(Thich Nhât Hanh, a energia da oração)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Z E N     D A     P A Z


Zazen - Canto de Sutras - Samu (trabalho coletivo) - compartilhar

Dia 27 de outubro de 2012 - Sábado

Das 7h00 às 12h00


Pedimos aos interessados que tragam frutas, sucos e biscoitos para compartilhar no desjejum

Zendo Brasília - 307 Norte - Bl. B - sala 109




terça-feira, 23 de outubro de 2012

A VIDA É UMA VIAGEM

" A vida é uma viagem" disse o venerável mestre Takeabayashi.  

O que vamos levar dessa viagem? Que novidades iremos contar ao regressarmos ao nosso lar? Onde fica a nossa casa? Será no céu? Só de pensar, há quem deixe de viver e fique só a se preocupar. Xaquiamuni Buda dizia que a vida é como um rio, correndo e fluindo sem parar. Uma gota d'água jamais passa duas vezes pelo mesmo lugar. Todos nós, minúsculos pingos d'água, fluímos na correnteza.

A casa onde ficamos serenos também está fluindo. Não virá depois da morte. Aqui, exatamente agora, estamos nessa casa abençoada, onde há tranquilidade. Isso independe do dinheiro, do amor, do trabalho e da fama. Não há celebridade que recuse um copo d'água em um dia de muito calor. E a gotinha passa, sem deixar marca, ajudada pela graça de fazer parte da rede da vida.

Ninguém pode nos tirar o contentamento de viver cada instante como a gota murmurante que ri de si mesma, fluindo na gargalhada da cachoeira que a derruba em estrondo, virando espuma, nuvem e chuva.

Sempre em casa, sempre ausente. E a felicidade nisso tudo? Só é percebida ao passar? Pode ser sentida em cada silêncio de olhares que se encontram e que se encantam nesse encontrar. Está presente no ato simples de compartilhar ternura, vida e saber.

Não ponha a felicidade para fora. Não a expulse com grito e ódio. Não enterre a felicidade nos vícios e excessos. Felicidade é macia e leve. Com a mente límpida, o coração aberto, as mãos prontas a ajudar, de repente, vemos o que antes era invisível.

Para ser feliz é preciso despertar.

(Monja Coen - Sempre Zen, aprender, ensinar e ser)


sábado, 13 de outubro de 2012

Tocando as cordas do coração

Quando temos uma experiência que nos permite tocar as cordas do coração, sentimos, nesse instante, uma grande alegria, através das palavras ou da nossa mente ou do nosso corpo.  Às vezes  não conseguimos dizer nada, porque tocar as cordas do coração é uma experiência profunda espiritual. Às vezes ela pode ser explicada e, outras vezes, não; mas ela influencia, de fato, sua vida.

Se você tem uma interpretação intelectual ou emocional dessa experiência de "tocar as cordas do coração", essa já é sua experiência individual. Mas antes de sua interpretação, tocar as cordas do coração é, em si, algo muito amplo. Você não consegue dizer nada. Você pode experimentar isso por meio do zazen, do ensinamento do Buda ou em sua vida diária. Você sabe o que é, mas não consegue explicar isso. É algo notável e influencia, diretamente, sua vida. Essa experiência é uma importante sugestão ou um sinal do que fazer, a partir de uma perspectiva muito profunda. Assim, essa experiência é muito importante antes mesmo que sua consciência ou que sua intuição a apreenda. Tocar as cordas do coração é os sentido puro da experiência. Para nós, isso é importante. O budismo sempre enfatiza isso. 

A prática do zen sempre converge para o sentido puro da experiência. Tocar o coração é algo que está completamente além dos limites da satisfação ou da insatisfação individual. Tudo o que você precisa é caminhar, contínua e diretamente, na direção da experiência pura de tocar o coração. Trata-se tão somente de sentar-se, do gassho, do entoar mantras. Mas não ficamos satisfeitos porque sempre fazemos avaliações com nossa consciência. Mas uma coisa avaliada pela consciência nunca o levará a tocar o âmago de sua experiência. 

(Retornando ao silêncio, a prática do zen na vida diária - Dainin Katagiri - Pensamento)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Buda explicou que a fonte de verdadeira felicidade é viver calma e livremente, experimentando completamente as maravilhas da vida. Felicidade é estar consciente do que está acontecendo no momento presente, livre tanto do apego quanto da aversão. Uma pessoa feliz aprecia as maravilhas disponíveis no momento presente - uma brisa refrescante, o céu da manhã, uma flor amarela, um bambu violeta,  o sorriso de uma criança. Uma pessoa feliz pode apreciar estas coisas sem ficar presa a elas. Compreendendo todos os darmas como sendo impermanentes e desprovidos de um eu separado, uma pessoa feliz vive tranquila, livre de toda preocupação e medo. Por entender que uma flor logo se desmancha, ela não se entristece quando isso efetivamente ocorre. Uma pessoa  feliz compreende a natureza do nascimento e morte de todos os darmas. Sua felicidade é verdadeira felicidade, e ela possa a não mais temer sequer a sua própria morte.

(Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda, Thich Nhat Hanh)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Silêncio


‎" Durante os períodos de prática e retiro temos a oportunidade de praticar o silêncio absoluto ou, pelo menos, reduzir a fala a dez por cento do normal. Essa prática é muito benéfica, pois não só aprendemos a controlar a fala, mas também podemos refletir e nos ver com maior clareza, e também ver as pessoas que nos rodeiam e a própria vida mesmo. Aproveitemos a oportunidade que proporciona o silêncio para olhar e sorrir para as flores, para o mato, arbustos, pássaros e outros seres humanos. Vocês alguma vez observaram um período de silêncio absoluto por, digamos, cinco dias? Se sim, então já conhecem os benefícios de tal prática. Com o silêncio, um sorriso e a linguagem correta podemos desenvolver a paz em si mesmos e no mundo que nos rodeia." 

Ven. Thich Nhat Hanh

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Raios luminosos

Estamos todos e todas interligados, interconectados. Por exemplo, se faço uma palestra, eu e os participantes a fazemos juntos. Eu não a faço sozinha e os participantes, sozinhos na sala, também não a fazem acontecer. Nós juntos e juntas, a estamos criando.

Tudo que existe é o co-surgir, interdependente e simultâneo. Tudo o que está acontecendo, não acontece por si só, mas devido a causas e condições. As causas e condições geram efeitos. O efeito, a consequência, é causa e condição para outros momentos. Assim forma-se a teia. Uma teia de raios luminosos onde em cada intersecção há uma jóia que emite luz em todas as direções. E nós somos a rede luminosa. Então aquilo que nós falamos, fazemos e pensamos, mexe na teia, assim como a teia mexe em nós. E fazemos escolhas. Temos discernimento e fazemos escolhas.

(Monja Coen Roshi)

domingo, 2 de setembro de 2012

O Dharma é simplesmente aquilo que somos


" Enquanto não nos sentirmos abertos e amáveis, nossa prática está ali nos esperando, e já que na maior parte do tempo não nos sentimos abertos e amáveis, devemos praticar meticulosamente. Essa é a vida religiosa; isso é que é “religião” — embora não precisemos usar tais palavras. É a reconciliação das pessoas e seus conceitos separados, a reconciliação de nossos pontos de vista sobre como deve ser, como as pessoas devem ser, a reconciliação com nossos medos. A reconciliação de tudo que é experiência… de quê? De Deus? Daquilo que simplesmente é? A vida religiosa é um processo de reconciliação, segundo a segundo.

E cada vez que atravessamos essa barreira algo muda dentro de nós. Com o tempo nos tornamos menos separados. E isso não é fácil, porque queremos nos agarrar ao que é familiar: ser separado, ser superior ou inferior, ser “alguém” na relação com o mundo. Uma das marcas da prática séria é estar alerta e reconhecer quando a separação está oc
orrendo. No minuto em que surgir a ideia — mesmo que só de passagem — de julgar outra pessoa, a luz vermelha da prática deve acender.

Todos fazemos algumas ações danosas de que não temos consciência. Mas quanto mais praticarmos, mais veremos aquilo que antes não podíamos ver. Isso não significa que iremos ver tudo — sempre há algo que não podemos ver. E isso não é bom nem ruim; é apenas a natureza das coisas.

Então prática não é só vir a retiros ou meditar toda manhã. Isso é importante, mas não suficiente. A força de nossa prática, e a habilidade de comunicá-la aos outros, depende de sermos nós mesmos. Não precisamos tentar ensinar os outros. Não precisamos dizer uma única palavra. Se nossa prática for forte ela se mostra o tempo todo. Não precisamos falar sobre o Dharma; o Dharma é simplesmente aquilo que somos." - 

Ven. Charlotte Joko Beck 



(retirado de Budismo para Todos)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fala correta - ação correta



"... Assim, eles unem os que estão divididos, e aos que estão unidos estimulam. A concordância os satisfaz; eles se aprazem e regozijam no acordo; e é esse acordo que espalham com suas palavras."

(Palavras de Xaquiamuni Buda sobre fala correta e ação correta)  - foto evento inter-religioso na Catedral da Sé, SP - 2012)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

D E S A R M A R




Como desarmar uma cidade, um estado, um país, uma nação e estender a alegria para toda a Criação? Caberia a quem pedir aos jovens que entregassem as armas e encontrassem caminhos de não-violência?

Na verdade, cabe a cada um de nós. Desarmar a mente e o coração. Desarmar a nós mesmos na maneira de falar: atacada, agressiva, violenta, metida. Desarmar na maneira de nos relacionarmos com o meio ambiente, com o lixo nas calçadas, com os bueiros entupidos, com a cidade violentada. Desarmar-se da maneira de pensar no outro como inimigo, seja pobre, seja rico.

Não há inimigos. A cidade é nossa casa. As pessoas compartilham das mesmas necessidades: ternura, pão, amizade, água.

Amor que pega de leve, envolvendo feito fumaça, mas não pode ser ciumento, guerreiro, matador, vingativo. Amor tem que ser bem doce. Tem sexo e reprodução. Tem vida em fermentação.

(Monja Coen - Sempre Zen - aprender, ensinar e ser)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Coração compassivo

Embora Sidarta fosse compassivo e gentil, também podia ser severo quando a ocasião assim requeresse. Uma pessoa que não pudesse ser auxiliada pelo Buda era alguém sem futuro. Certa vez, Svasti estava presente quando uma rápida, mais impressionante conversa ocorreu entre o Buda e um homem chamado Kesi, um bem-conhecido domador de cavalos.

O Buda perguntou a Kesi: "Você poderia, por favor, explicar-nos como doma seus cavalos?"

"Senhor, os cavalos tem diferentes temperamentos. Alguns são muito dóceis e podem ser domados com o uso de métodos gentis. Outros são ainda muito selvagens e requerem, unicamente, o uso de firme disciplina."

O Buda sorriu e disse: "O que você faz quando encontra um cavalo que não responde a qualquer destes métodos?"

"Senhor, nesta situação, é necessário matar o cavalo. Se for permitido que viva junto com os demais cavalos, ele os contaminará a todos. Senhor, de minha parte, gostaria de saber com o senhor treina seus discípulos."

O Buda sorriu. "Faço o mesmo que você. Alguns monges respondem somente à gentileza. Os requerem firmeza com gentileza. Outros só fazem progresso com disciplina severa."

"E o que o faz no caso de o monge não responder a nenhum dentre tais métodos?"

"Faço o mesmo que você. Eu o mato."

Os olhos do domador de cavalos se arregalaram. "O quê? Você o mata? Pensei que fosse contra matar."

O Buda explicou: "Não o mato no mesmo sentido com que você diz matar um cavalo. Quando uma pessoa não responde a qualquer destes três métodos recém-mencionados, nós recusamos que tal pessoa se junte à sangha dos bhikkhus. Não o aceito como meu aluno. Isso é um extremo infortúnio. Ter recusada a chance de praticar o Dharma na comunidade é perder uma vez em um milhar de vidas. O que significaria morrer para a vida espiritual. Não é lamentável apenas para a pessoa que foi recusada. É muito mais lamentável para mim, pois nutro grande amor e consideração por aquela pessoa. Jamais perco a esperança de que, um dia, aquela pessoa se abra para a prática e volte para nós."

(Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda - Thich Nhat Hanh)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

ZEN DA PAZ

Dia 4 de agosto de 2012, sábado - das 7h00 às 12h00.
Local - Zendo Brasília

Trazer frutas, sucos ou biscoitos para compartilharmos  no desjejum

O nirvana é ver, de modo total e completo

Algumas pessoas acham que a doutrina dos despertos é niilista, como se ela afirmasse um tipo de nada. Como se, de algum modo, o nirvana fosse uma queda em um tipo de esquecimento sereno, um cinza flutuante, à deriva, num mar sem limites. Isso não é nirvana.

Lembre-se de que tudo o que vemos, ouvimos, sentimos e pensamos é fluxo constante de mudança. Nada dura. Ansiamos pela permanência e, como resultado, sofremos, pois não achamos nada disso. Parece que há apenas esse ir e vir, esse ir e vir, essa ascensão e queda intermináveis.

Sentimos tudo como movimento. Na verdade, os físicos nos dizem que a matéria nada mais é que movimento. E não importa como a olhemos, em qualquer escala, nossa experiência é sempre de movimento, de mudança.

Isso é verdadeiro para tudo no mundo físico, incluindo o nosso corpo. Cada célula - na verdade, cada átomo de cada célula - não revela nada senão esse ir e vir sem fim. Nosso corpo se refaz de momento a momento, e nunca é o mesmo.

O mesmo é verdadeiro para a nossa mente. O contéudo da nossa mente também está em constante movimento. Pensamentos, sentimentos, idéias e impulsos afloram, um atrás do outro; depois florescem e fenecem como flores finda a sua estação.

O nirvana é ver, de modo total e completo, que isso é assim.

(Steven Hagen - Budismo Claro e Simples - como estar sempre atento, neste exato momento, todos os dias - Ed. Pensamento) Steven Hagen recebeu a transmissão do Dharma do mestre Dainin Katagiri, em 1989.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Perguntas mais frequentes sobre zazen

Devo parar de pensar? Como me concentrar com tantos pensamentos?

- Os pensamentos não devem ser obstáculos à prática. Apenas observe os pensamentos surgindo e desaparecendo. Mantenha a atenção na respiração. Inspirando e expirando. Gradualmente seu sentar será mais profundo. Procure não dar atenção aos pensamentos. Apenas os identifique como pensamentos e volte o foco para o seu corpo, a sua postura e a sua respiração.

Há uma analogia interessante: quando iniciamos a prática de zazen, observamos, admirados(as), quantos pensamentos circulam e insistem em circular por nossa mente. É como estar à beira-mar: no princípio, observamos apenas as marolas na praia. Depois, não ficamos mais observando as ondas. Percebemos que é possível ir além. Pouco a pouco adentramos o mar. Há menos movimento. Há intervalos entre os pensamentos, que nem percebíamos. Aprendemos a respirar de forma adequada - inspiração e expiração tão suaves e prolongadas que às vezes surge a impressão de que não estamos mais respirando. Então podemos mergulhar nas profundezas mais tranquilas e silenciosas - do oceano e da mente. As marolas continuam lá? Onde estão os pensamentos incessantes?

Meditar é tranquilizar a mente e o corpo? O que devo fazer?

- Não. Zazen é conhecer mente e corpo. Não é relaxamento. É o despertar da mente. Não é para adormecer, mas para entrar em contato com o mais íntimo de si mesmo - e aí está o Nirvana: a paz que surge da sabedoria e da compaixão. Essa é a tranquilidade zen. Se mantiver a postura e a respiração corretas, naturalmente corpo e mente entrarão em equilíbrio e harmonia.

(Zazen, a prática essencial do zen - Comunidade Zen Budista Zendo Brasil)

domingo, 1 de julho de 2012

RECESSO

Estaremos em recesso de 
8 a 22 de julho.

Retornaremos dia 23 de julho (segunda-feira) com zazen às 19h30.



"Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres e que possamos todos e todas nos tornar, o Caminho Iluminado"

domingo, 24 de junho de 2012

As quatro estações em uma só paisagem

O que se significa alegrar-se ao longo da estrada da vida?

A existência reserva muitas surpresas: há momentos em que fracassamos em um trabalho no qual estávamos totalmente empenhados. Em outros, somos incompreendidos ou nos sentimos circundados de inimigos. Podemos nos sentir à beira de um abismo, por termos perdido esposa, maridos ou filhos. Ou então conhecer o desespero de uma doença incurável, ou de não ter o que comer. Por outro lado, às vezes estamos tão extasiados que acreditamos poder tocar o arco-íris com a ponta dos dedos. Quanto mais mudanças de paisagens houver, mais interessante é o percurso. Desse modo é a viagem da vida. É importante  não ficarmos condicionados. Precisamos aprender a observar a paisagem e apreciar cada etapa do caminho.

O Mestre Dôgen escreveu no Tenzô Kyôkun: "A Grande Mente é imparcial e independente como uma grande montanha ou um vasto oceano. Quando levar algo que pese poucos gramas, não pense que é leve. Da mesma  maneira, ao levantar um peso de muitos quilos, não pense que é pesado. Quando ouvir a voz da primavera, não se exalte. Se vir as cores do outono, não se deprima. Observe as quatro estações como uma cena integral, uma paisagem completa".

"A voz da primavera" simboliza as condições favoráveis, enquanto "as cores do outono" assinalam os momentos adversos.

Quando nos acontece alguma coisa triste, perdemos a calma, buscamos fugir, o entusiasmo nos abandona e perdemos a coragem. Por outro lado, quando nos encontramos em situações propícias, nos gabamos, cheios de arrogância, pensando que somos superiores. A boa sorte pode nos embriagar. Mas Mestre Dôgen dizia que precisamos sempre observar as quatro estações como uma cena completa, pensando que tanto a felicidade quanto a infelicidade compõem uma única paisagem. Devemos apreciar ambas, sem perder a calma. A natureza, como a viagem da vida, prossegue sem levar em conta nossas pequenas preocupações pessoais, nossos problemas medíocres e mundanos.

(Shundo Aoyama Rôshi - Para uma pessoa bonita - contos de uma mestra zen)

domingo, 17 de junho de 2012

Sem deixar rastros

"Ao fazer alguma coisa você deve se consumir completamente, como uma boa fogueira, sem deixar rastro de si próprio."

Quando praticamos zazen, nossa mente está calma e livre de complicações. Porém, normalmente está muito ocupada e emaranhada, e é difícil concentrar-se naquilo que se está fazendo. Isso acontece porque antes de agir pensamos e esse pensar deixa rastros. Nossa atividade fica ofuscada pela sombra de uma ideia preconcebida. O pensar não só deixa rastros ou sombras, também nos dá muitas outras noções sobre diferentes atividades e coisas. Esses rastros e idéias tornam nossa mente muito complicada. Quando fazemos uma coisa com a mente clara e livre de complicações, não temos idéias ou sombras, e nossa atividade é vigorosa e direta. Mas quando fazemos algo com uma mente complicada, isto é, envolvida com outras coisas ou pessoas, nossa atividade se torna muito complexa.

A maioria das pessoas tem ideias duplas ou triplas numa mesma atividade. Existe um dito: "Caçar dois passarinhos com uma pedra só." Isso é o que habitualmente as pessoas tentam fazer. Porque querem caçar pássaros demais, acham difícil concentrar-se em uma só atividade e podem não caçar pássaro algum! Essa maneira de pensar sempre deixa sombras na atividades das pessoas. Na realidade, a sombra não é o próprio pensamento. Claro que muitas vezes é necessário pensar, ou preparar-se para agir. Mas o pensamento correto não deixa sombras. Pensamento que deixa rastros provém de uma mente confusa e relativa. Mente relativa é a que se estabelece a sim mesma em relação a outras coisas, autolimitando-se. É essa mente pequena que cria idéias de ganho e deixa rastros. 

Nossas atividades não devam deixar rastros. Não devemos nos apegar a ideias fantasiosas ou a coisas bonitas. Não devemos ir em busca de algo bom. A verdade está sempre à mão, ao seu alcance.

Shunryu Suzuki (Mente Zen, mente de principiante)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ZAZENKAI

ZAZENKAI


16 de junho de 2012 (Sábado)
Horário -  7h00 às 18h00  

- almoço às 12h00 - restaurantes próximos ao Zendo Brasília

Local: Zendo Brasília - 307 Norte - Bl. B - sala 109

Valores:  R$ 20,00 - membros 
                     R$ 30,00 - não membros

Inscrições: Aida Kakuzen - aidaravi@yahoo.com.br




"Se pudéssemos viver sem expectativas, jamais ficaríamos desapontados. O desapontamento é a violação das expectativas, e muito do desespero que as pessoas sofrem vem dessa violação. A etmologia da palavra expectativa  é ex, que significa "fora de", e espectore, que significa "olhar". Ter expectativa, portanto, significa olhar para fora de si mesmo. As espectativas afastam-se "daquilo que é" e se voltam para aquilo que será ou que deverá ser. A prática do Zen vai exatamente na direção oposta."
(Albert Low)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O zen é simplesmente zazen

O zen é simplesmente sentar-se, o Zen é simplesmente zazen.

Para muitos, o Zen é uma religião da Ásia entre tantas outras mas, se cresceu no seio da mais antiga tradição budista, é como a água viva que jorra sempre fresca, sempre renovada. Sempre atual, sempre vivo, recria-se a cada instante. O Zen não é raciocínio, nem teoria, nem idéia. Não é conhecimento que se possa apreender através do cérebro, é tão-somente uma prática. Essa  prática é zazen, meditação, o ato de sentar-se com perfeição, recriação de si mesmo e compreensão do verdadeiro eu; não é nem austeridade nem mortificação; é o verdadeiro acesso à paz e à liberdade.

A verdadeira revolução, a do nosso espírito, gerada pela prática do Zen, filosofia profunda cuja essência não podemos atingir só pelo pensamento lógico, orienta-se para o interior.

O Zen outra coisa não é senão a prática de zazen; Zen significa concentração do espírito e Za: sentar-se

(Taisen Deshimaru)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SUTRA DO DIAMANTE

Toda aparência é ilusão.

Se você vir toda aparência como não-aparência,

Então, essa visão é a sua verdadeira natureza.

Não se apegue a quaisquer pensamentos que surjam na mente.

Se você vê forma como o Absoluto, se busca o Absoluto com a sua voz,

Você está percorrendo o caminho errôneo e não será capaz de ver o seu verdadeiro eu.

Todas as coisas compostas são como um sonho, um fantasma, uma bolha ou um reflexo.

São como o orvalho ou  relâmpago. Assim você deve vê-las.

domingo, 20 de maio de 2012

Atenção

A atenção - plena e total - é tudo. A falta de atenção é responsável por grande parte da violência e do sofrimento do mundo atual. Pois é a mente que se sente separada da vida e da natureza, a mente dominada por um "eu" onipresente, que sai para destruir e matar, a fim de satisfazer seu desejo de cada vez mais - a qualquer custo. Essa mente desatenta nutre insensibilidade pelas coisas e pessoas porque não vê ou reconhece o valor delas como realmente são, vendo-as apenas como objetos a serem usados para saciar os próprios desejos. A pessoa profundamente atenta vê a indivisibilidade da existência, a rica complexidade e a interconexão de toda a vida. Dessa atenção advém um profundo respeito pelo valor absoluto de todas as coisas, de cada coisa. Desse respeito pelo valor de cada objeto individual, animado ou inanimado, vem o desejo de ver as coisas usadas apropriadamente, em vez de ser descuidado, esbanjador ou destrutivo.

Praticar verdadeiramente o Zen significa, portanto, não deixar lâmpadas acesas quando não estão sendo necessárias, a água jorrar desnecessariamente da torneira, encher o prato e deixar comida sobrando. Esses atos impensados revelam uma indiferença pelo valor do objeto desperdiçado ou destruído, bem como pelos esforços de quem nos proporcionou tais coisas: no caso da comida, o fazendeiro, o caminhoneiro, o varejista, o cozinheiro, a pessoa que serve a comida. Essa indiferença é produto de uma mente que se vê separada de um mundo de mudanças aparentemente aleatórias e do caos inútil. Essa indiferença priva-nos de nosso direito de nascença à harmonia e à alegria.

(Zen Budismo - O caminho da iluminação - Roshi Philip Kapleau - ARX)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Temos de viver muitas vezes
e muitas vezes morrer.
Vida e morte se sucedem
continuamente na eternidade.

(Yoka Daishi)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Casos Zen

Uma monja foi visitar a mestra do mosteiro. A mestra olhou diretamente para ela e disse: "Por que você trouxe toda essa multidão com você?". A monja, que estava sozinha, olhou para trás. A mestra disse: "Não olhe para trás, olhe para dentro".

Será que estamos sós? Será que levamos conosco multidões? Há quem venha com os seres amados. Há quem ande com os que mais detesta para todos os lados.

Não podemos ficar olhando para trás. Dizem que quem olha para trás bate com a cara no poste. E não é assim mesmo? Costumamos olhar para o que já fizemos, ficamos remoendo situações, eventos, o que falamos ou deixamos de falar em certo momento. É preciso ficar livre. 

(Monja Coen em Sempre Zen, aprender, ensinar e ser - Publifolha)


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Você é o objeto da sua raiva

Quando nos zangamos com nossos filhos, estamos nos zangando com nós mesmos. Nossos filhos somos nós. Genética, fisiológica e cientificamente nossos filhos são nossa continuação. Esta é a verdade. Quem é sua mãe? Sua mãe é você. Você é a continuação dela como descendente, e ela é sua continuação como ancestral. Ela liga você a todos os que vieram antes e você a liga às gerações futuras. Vocês pertencem à mesma corrente de vida. Achar que ela é uma entidade diferente, que você não tem nada a ver com ela, é pura ignorância. Quando um rapaz diz: "Não tenho mais nada a ver com meu pai", isso é uma total ignorância, porque o jovem, queira ou não, é uma continuação do pai.

Pode parecer que pais e filhos são entidades separadas, mas, se pensarmos melhor, perceberemos que são uma só. Por isso, resolver os conflitos, restabelecer a paz entre você e seus filhos, entre você e seus pais, é como restaurar a paz dentro de você, dentro do seu corpo. Você, seus pais e seus filhos têm a mesma natureza, pertencem à mesma realidade.

Quando temos raiva de nossos filhos, temos raiva de nós mesmos. Quando punimos nossos filhos, estamos nos punindo. Quando fazemos nossos filhos sofrerem, estamos causando sofrimento a nós mesmos.

Quando conseguimos alcançar essa compreensão, passamos a saber que a felicidade e o sofrimento não são uma questão individual. Seu sofrimento é o sofrimento das pessoas que você ama. A felicidade delas é a sua felicidade. Ao saber disso, você não terá mais a tentação de punir ou culpar e se comportará com muito mais sabedoria.

(Thich Nhat Hanh - Aprendendo a lidar com a raiva - sabedoria para a paz interior - Ed. Sextante)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Expressando-se plenamente

Geralmente a nossa sociedade funciona de modo bem superficial, bem frívolo. O poder controlador é o dinheiro ou algum barulho bem grande. Nossos olhos e ouvidos não estão abertos ou não são sutis o bastante para ver e ouvir as coisas. A maioria das pessoas que visita o Zen Center considera o lugar estranho: "Eles não falam muito. Eles nem mesmo riem. O que eles estão fazendo?". Aqueles que estão acostumados com grandes ruídos podem não perceber, mas conseguimos nos comunicar sem falar tanto. Podemos nem sempre estar sorrindo, mas sentimos o que as outras pessoas sentem. Nossa mente está sempre aberta e nós nos expressamos plenamente.

Nós podemos estender essa prática para a vida urbana e ser amigos uns dos outros. Não é tão difícil quando você decide ser honesto consigo mesmo e se expressa plenamente, sem esperar coisa alguma. Somente sendo você e estando pronto a entender os outros é que estendemos a prática para o dia-a-dia.

Não sabemos o que irá acontecer. Se não conseguirmos nos expressar plenamente em cada momento, poderemos lamentar isso mais tarde. Por esperarmos algum tempo futuro, perdemos alguma oportunidade e somos mal compreendidos pelo nosso amigo. Não esperem mais. Expressem-se plenamente.

(Shunryu Suzuki, Nem Sempre é Assim - Praticando o verdadeiro espírito do ZEN- Ed. Religare)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Percepções psíquicas

Certa vez, quando o mestre Bankei calmamente pregava a seus seguidores, sua fala foi interrompida por um sacerdote de nome Shinshu que acreditava em milagres e pensava que a salvação vinha da repetição de palavras sagradas.

Mestre Bankei, incapaz de continuar a palestra, perguntou ao sacerdote o que queria ele dizer.

- O fundador da minha religião, - continuou o sacerdote - estava na margem de um rio com um pincel na mão. Seu discípulo estava na outra margem segurando uma folha de papel. E o fundador escreveu o santo nome de Amida no papel, através do rio, pelo ar. Podes fazer algo tão milagroso?

- Não, - disse Bankei - só posso fazer pequenos milagres como: comer, quando estou com fome; beber quando tenho sede e, quando insultado, perdoar.

(An Introduction to Zen - Peter Pauper Press, M. V. Nova Iorque)

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Darma incomparavelmente profundo e infinitamente sutil é raramente encontrado mesmo em centenas de milhões de anos

Darma é o ensinamento que se chama a Lei verdadeira. Não há apenas a lei humana. Dizemos que relativo e absoluto são como uma caixa e sua tampa, eles se completam.
 O Darma, os ensinamentos, a Lei verdadeira são a verdade. Retorno e me abrigo na verdade, podemos nos abrigar na mentira, mas escolhemos nos abrigar na verdade, na Lei verdadeira.
Monja Coen

domingo, 25 de março de 2012

Não deveis praticar o ensinamento de Buda com a idéia de ganho

A prática do ensinamento de Buda é sempre realizada através do recebimento das instruções essenciais de um mestre, não seguindo vossas próprias idéias. De fato, o ensinamento de Buda não pode ser atingido tendo-se ou não idéias. Somente quando a mente da prática pura coincidir com o caminho, corpo e mente se acalmarão. Se corpo e alma não estiverem ainda calmos, não se sentirão à vontade. Quando corpo e mente não estão à vontade, nascem espinhos na senda da percepção.

Para que a prática pura e o caminho coindicam , como devemos proceder? Procedei com a mente que nem segura nem rejeita, a mente despreocupada com nome ou ganho. Não pratiqueis o darma-de-buda com o pensamento de que é para beneficiar os demais.

As pessoas, no mundo atual, mesmo as que praticam o darma-de-buda, têm uma mente que está muito distante do caminho. Elas praticam o que outros louvam e admiram, embora saibam que isso não harmoniza com o caminho. Elas rejeitam e não praticam o que os outros deixam de honrar e louvar, embora saibam que esse é o verdadeiro caminho. Que doloroso! Deveis tentar aquietar vossa mente e investigar se essas atitudes são o darma-de-buda ou não. Podeis vos envergonhar totalmente. O olho do sábio a isso ilumina.

Estudantes! Não pratiqueis o darma-de-buda em proveito próprio. Não pratiqueis o darma-de-buda pelo nome e ganho. Não pratiqueis o darma-de-buda para atingir uma recompensa ditosa. Não pratiqueis o darma-de-buda para obter efeitos miraculosos. Praticai o darma-de-buda unicamente pelo bem do darma-de-buda. Este é o caminho.

(Gakudo Yojin-Shu, Dogen Zenji - Escritos de Mestre Dogen organizado por Kazuaki Tanahashi)

quinta-feira, 22 de março de 2012

CAMINHADA ZEN


 

Respire por você e respire pelo mundo



CAMINHADA  ZEN
Parque Olhos D'água - Asa Norte
Domingo (25/03/2012), às 10h30

segunda-feira, 19 de março de 2012

O zazen



Não se concentre em nada em particular, nem tente controlar seus pensamentos. Deixe-os ir e vir livremente - sem apego nem aversão, entregando-se ao momento presente.
    
Em zazen, o corpo, a respiração e a mente devem estar unidos., formando a unidade que são. Nossa tendência é considerá-los separados. Experimente sentir a unidade. Mantendo a postura correta, a respiração se estabalilizará e sua mente ficará naturalmente tranquila - ou não. Observe.
    
 Mantenha-se imóvel durante todo o período, que pode ser de 20 a 50 minutos, dependendo do local de prática. Se sentir alguma dor, verifique se sua postura está correta. Se necessário, faça pequenos ajustes. Mas não fique se movendo muito ou tentanto levantar os joelhos do chão. Pelo contrário. Procure relaxar no local da dor e pressionar os joelhos contra o chão, mantendo o alongamento da coluna. O corpo é sabedoria. Confie.
  
Se a dor persistir, sinta a dor. Ele tem cor, sabor, textura? Qual o ponto principal? Onde começa? É possível enviar oxigênio para a dor? Há momentos em que é possível esquecer-se da dor. Em outros momentos, ela parece ser tudo o que está acontecendo. Torne-se a dor e uma mudança acontecerá. Não haverá mais dualidade.

Pequenos desconfortos posturais são comuns no início da prática. Sinta-os. Não fuja deles se movendo. Não desista. O corpo se adapta e pode encontrar grande conforto ao se entregar à postura correta. Entretanto, esteja atento e também não se force a suportar dores que são fruto de lesões anteriores ao zazen. Nada é obstáculo à prática. Pelo contrário. O que estiver ocorrendo é o zazen.

Pensar, não pensar, além do pensar e do não pensar. Apenas sentar-se (shikantaza), e a grande realização dos Budas Ancestrais estará a seu dispor. Aprecie o silêncio da mente e deixe que o zazen faça zazen. Não é fechar a porta dos sentidos, mas é ceder, entregar-se, sem resistência. É desprender-se da intenção e do seu próprio eu para tornar-se a vida da Terra.

"Eu, a grande Terra e todos os seres, juntos, simultaneamente, nos tornamos o Caminho." (Sidarta Gautama, no momento de sua iluminação, quando se torna Zaquiamuni Buda).

(Zazen a prática essencial do zen, Comunidade Zen Budista Zendo Brasil)

    

terça-feira, 13 de março de 2012

O conhecimento

A coisa mais importante transmitida de geração em geração pelos budas e antepassados é a característica do conhecimento. Não se trata de um conhecimento devido ao fato de se estabelecerem relações entre um objeto e outro, ou de se defrontar com o mundo exterior. Esse conhecimento é sutil e inconcebível; portanto, rigorosamente falando, não há palavras adequadas para expressá-lo. Não se trata de algo que possamos experimentar mediante a discriminação, porque esse conhecimento nos chega sem a utilização de nossa força, de nosso poder ou de qualquer técnica. Ele provém das profundezas da existência. É o conhecimento que não tem nenhuma lacuna entre o sujeito e o objeto. Conhecer é, exatamente, a ação dinâmica e real do conhecimento. O conhecimento real participa dele próprio, torna-se um consigo mesmo. Ele aceita a estrutura de seu ser e das outras coisas. O conhecimento não tem dúvidas. Ele é "exatamente assim mesmo"; do fundo de nosso coração, dizemos: "Sim". Esse conhecimento ou "exatamente assim mesmo" significa permitir a nós mesmos e aos outros seres sermos realmente como somos. Para fazer isso, precisamos participar do próprio conhecimento.

Em outras palavras, se quisermos saber quem somos, precisamos participar de nós mesmos. Isso é muito difícil. Parece que participamos de nós mesmos mas, embora digamos: "Sim, eu sei quem sou", esse "eu" não é o eu verdadeiro tal como ele é; ainda há uma pequena lacuna. O eu precisa participar do eu, exata e intimamente. O conhecimento real deve ser mais ou menos como usar lentes de contato. Se usamos lentes de contato ou óculos claros, às vezes nem mesmo percebemos que os estamos usando; mas, se estamos de óculos escuros, geralmente temos mais consciência de sua presença.

Quando o conhecimento é completamente assimilado em nossa vida, esse conhecimento torna-se iluminado. Iluminado significa que o conhecimento está atuando de um modo concreto em cada aspecto da vida humana. Dogen Zenji usa o termo "luz", e diz que ela significa a fusão do globo ocular com a pele do olho. É exatamente como as lentes de contato. Elas geralmente não incomodam os olhos; elas se encaixam exatamente neles. As lentes de contato unem-se ao seu globo ocular e são eficazes. Você não percebe a sua presença em seu globo ocular porque ele e as lentes atuam juntos, de maneira bastante suave. Assim é com o conhecimento, ou iluminação, ou luz.

(Retornando ao silêncio - a Prática do Zen na Vida Diária, Dainin Katagiri, Ed. Pensamento)

sábado, 3 de março de 2012

"QUANDO VOCÊ INSPIRAR, INSPIRE O UNIVERSO TODO.


QUANDO VOCÊ EXPIRAR, EXPIRE O UNIVERSO TODO.


DENTRO E FORA.


DENTRO E FORA.


POR FIM VOCÊ ESQUECE A DIVISÃO ENTRE INSPIRAR E EXPIRAR.


MESMO A RESPIRAÇÃO É TOTALMENTE ESQUECIDA.


VOCÊ SIMPLESMENTE SE SENTA COM A SENSAÇÃO DE UNIDADE"


(Maezumi Rôshi - em Zen Meditation in Plain English)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"MINHA EXPERIÊNCIA MÍSTICA
SE REVELA NO MEU RELACIONAMENTO DIÁRIO"

(Monja Coen)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"O zazen é um mundo desprovido de sentimentos de procura, de busca. É a eliminação dos desejos de recompensa, das expectativas de proveito, de ganho e de lucro. Penetramos no que existe antes de considerarmos perdas e ganhos. Não se busca nem mesmo a sabedoria. Eliminam-se todos os sentimentos de pedir, querer, mendigar. Apenas sentados. A isso o mestre chama de 'zazen que não serve para nada'."

Shundô Aoyama Rôshi (Para uma pessoa bonita - Contos de uma mestra)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Durante um único instante oitenta mil portas são criadas; durante um único instante, o tempo eterno é concluído.

Num instante são criadas oitenta mil portas (porta=fenômeno). Num instante, o tempo eterno se acaba. Um único momento é completo e dura a eternidade. Viver aqui e agora. Não pensar no futuro.

O instante presente é como o tempo eterno. Se o instante não é vivido, não existe eternidade.

O seu zazen desta manhã continua eternamente.

A sua consciência, aqui e agora, exerce uma influência eterna.

Dogen escreve sempre: "Aqui e agora é importante."

Quando você toca o gongo uma vez, o som ressoa durante muito tempo.

Não é preciso bater muitas vezes. Um único som dura muito tempo, muito tempo.

Um único zazen pode cortar todo o seu karma.

(Shodoka, O canto do Satori imediato, Yoka Daishi - tradução e comentários do Mestre Taisen Deshimaru Roshi, Ed. Pensamento)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Reconhecendo o inimigo interior

Uma das melhores qualidades humanas é a inteligência, que nos permite julgar o que é salutar e o que é nocivo, o que é benéfico e o que é nefasto. Pensamentos negativos, como a raiva e o forte apego, destroem essa qualidade humana especial, e isso é realmente lamentável. Quando a raiva ou o apego dominam a mente, a pessoa fica quase enlouquecida, e tenho certeza de que ninguém deseja enlouquecer. Sob seu poder, cometemos todo tipo de atos - muitas vezes com consequências destrutivas e de grandes proporções. Uma pessoa dominada por tais estados mentais e emocionais é como um cego que não pode ver aonde está indo. E, mesmo assim, não tratamos de desafiar esses pensamentos e emoções negativos, que levam à beira da insanidade. Muito pelo contrário, nós os alimentamos e reforçamos! Desse modo, estamos na verdade, nos tornando presas de seus poderes destrutivos. Quando refletirem a esse respeito, vocês poderão se dar conta de que nosso verdadeiro inimigo não está fora de nós mesmos.

Deixem-me lhes dar um exemplo. Quando sua mente está treinada na autodisciplina, mesmo que vocês estejam cercados por forças hostis, sua paz mental e sua calma podem ser facilmente destruídas por seus próprios pensamentos e emoções negativos. Repito, então: o inimigo real está dentro, e não fora de nós. Definimos geralmente nosso inimigo como uma pessoa, um agente externo, que, acreditamos, está fazendo mal a nós mesmos ou a alguém que nos seja querido. Mas tal inimigo é relativo e impermanente. Num momento, a pessoa pode agir como inimigo: noutro momento, porém, pode se tornar nosso melhor amigo. Essa é a verdade que vivenciamos muitas vezes em nossa própria vida. Mas pensamentos e emoções negativos - o inimigo interior - continuarão sendo sempre um inimigo. São nossos inimigos hoje, foram nossos inimigos no passado e continuarão sendo nossos inimigos no futuro, enquanto habitarem nosso continuum mental. É por isso que Santideva diz que pensamentos e emoções negativos são o verdadeiro inimigo, e este inimigo está dentro de nós.

(O mundo do Budismo Tibetano - uma visão geral de sua filosofia e prática - Tenzin Gyatso - O décimo quatro Dalai Lama, Ed. Nova Fronteira)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ZENDO BRASÍLIA - NOVO LOCAL

Estamos na Asa Norte - SCLN 307 - Bl. B - sala 109. Venham fazer zazen conosco, sexta (03/02/2012) às 19h00 e comemorar este momento importante para todos nós.

gassho,

Kakuzen