segunda-feira, 23 de abril de 2012

Você é o objeto da sua raiva

Quando nos zangamos com nossos filhos, estamos nos zangando com nós mesmos. Nossos filhos somos nós. Genética, fisiológica e cientificamente nossos filhos são nossa continuação. Esta é a verdade. Quem é sua mãe? Sua mãe é você. Você é a continuação dela como descendente, e ela é sua continuação como ancestral. Ela liga você a todos os que vieram antes e você a liga às gerações futuras. Vocês pertencem à mesma corrente de vida. Achar que ela é uma entidade diferente, que você não tem nada a ver com ela, é pura ignorância. Quando um rapaz diz: "Não tenho mais nada a ver com meu pai", isso é uma total ignorância, porque o jovem, queira ou não, é uma continuação do pai.

Pode parecer que pais e filhos são entidades separadas, mas, se pensarmos melhor, perceberemos que são uma só. Por isso, resolver os conflitos, restabelecer a paz entre você e seus filhos, entre você e seus pais, é como restaurar a paz dentro de você, dentro do seu corpo. Você, seus pais e seus filhos têm a mesma natureza, pertencem à mesma realidade.

Quando temos raiva de nossos filhos, temos raiva de nós mesmos. Quando punimos nossos filhos, estamos nos punindo. Quando fazemos nossos filhos sofrerem, estamos causando sofrimento a nós mesmos.

Quando conseguimos alcançar essa compreensão, passamos a saber que a felicidade e o sofrimento não são uma questão individual. Seu sofrimento é o sofrimento das pessoas que você ama. A felicidade delas é a sua felicidade. Ao saber disso, você não terá mais a tentação de punir ou culpar e se comportará com muito mais sabedoria.

(Thich Nhat Hanh - Aprendendo a lidar com a raiva - sabedoria para a paz interior - Ed. Sextante)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Expressando-se plenamente

Geralmente a nossa sociedade funciona de modo bem superficial, bem frívolo. O poder controlador é o dinheiro ou algum barulho bem grande. Nossos olhos e ouvidos não estão abertos ou não são sutis o bastante para ver e ouvir as coisas. A maioria das pessoas que visita o Zen Center considera o lugar estranho: "Eles não falam muito. Eles nem mesmo riem. O que eles estão fazendo?". Aqueles que estão acostumados com grandes ruídos podem não perceber, mas conseguimos nos comunicar sem falar tanto. Podemos nem sempre estar sorrindo, mas sentimos o que as outras pessoas sentem. Nossa mente está sempre aberta e nós nos expressamos plenamente.

Nós podemos estender essa prática para a vida urbana e ser amigos uns dos outros. Não é tão difícil quando você decide ser honesto consigo mesmo e se expressa plenamente, sem esperar coisa alguma. Somente sendo você e estando pronto a entender os outros é que estendemos a prática para o dia-a-dia.

Não sabemos o que irá acontecer. Se não conseguirmos nos expressar plenamente em cada momento, poderemos lamentar isso mais tarde. Por esperarmos algum tempo futuro, perdemos alguma oportunidade e somos mal compreendidos pelo nosso amigo. Não esperem mais. Expressem-se plenamente.

(Shunryu Suzuki, Nem Sempre é Assim - Praticando o verdadeiro espírito do ZEN- Ed. Religare)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Percepções psíquicas

Certa vez, quando o mestre Bankei calmamente pregava a seus seguidores, sua fala foi interrompida por um sacerdote de nome Shinshu que acreditava em milagres e pensava que a salvação vinha da repetição de palavras sagradas.

Mestre Bankei, incapaz de continuar a palestra, perguntou ao sacerdote o que queria ele dizer.

- O fundador da minha religião, - continuou o sacerdote - estava na margem de um rio com um pincel na mão. Seu discípulo estava na outra margem segurando uma folha de papel. E o fundador escreveu o santo nome de Amida no papel, através do rio, pelo ar. Podes fazer algo tão milagroso?

- Não, - disse Bankei - só posso fazer pequenos milagres como: comer, quando estou com fome; beber quando tenho sede e, quando insultado, perdoar.

(An Introduction to Zen - Peter Pauper Press, M. V. Nova Iorque)

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Darma incomparavelmente profundo e infinitamente sutil é raramente encontrado mesmo em centenas de milhões de anos

Darma é o ensinamento que se chama a Lei verdadeira. Não há apenas a lei humana. Dizemos que relativo e absoluto são como uma caixa e sua tampa, eles se completam.
 O Darma, os ensinamentos, a Lei verdadeira são a verdade. Retorno e me abrigo na verdade, podemos nos abrigar na mentira, mas escolhemos nos abrigar na verdade, na Lei verdadeira.
Monja Coen