quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A paciência é a marca do verdadeiro amor

A raiva é uma coisa viva. Ela brota e precisa de tempo para abrandar. Mesmo que você tenha provas concretas para convencer a outra pessoa de que a raiva dela está totalmente baseada numa percepção errada, por favor, não interfira imediatamente. Assim como o ciúme, a raiva precisa de tempo para abrandar, mesmo depois que a outra pessoa descobre que interpretou mal a situação. Quando você desliga um ventilador, ele continua a girar durante algum tempo antes de parar. A raiva também é assim. Não espere que a outra pessoa pare imediatamente de sentir raiva. Deixe que ela desapareça aos poucos, lentamente. Por favor, não se apresse.

A paciência é a marca do verdadeiro amor. Se queremos amar, precisamos aprender a ser pacientes, tanto com os outros quanto com nós mesmos. A prática de abraçar a raiva requer tempo, mas, se você praticar durante apenas cinco minutos a respiração consciente, o andar consciente e abraçar sua raiva, poderá alcançar um resultado eficaz. Se cinco minutos não forem suficientes, leve dez. E, se dez não bastarem, leve quinze. Leve o tempo que precisar. As práticas da respiração consciente e do andar consciente ao ar livre são uma forma maravilhosa de abraçar a raiva. É exatamente como quando você cozinha batatas cruas. Você precisa cozinhar sua raiva no fogo da consciência e isso pode levar dez, vinte minutos ou muito mais tempo.

Conquistando a vitória

Quando cozinha as batatas, você tem que cobrir a panela para evitar que o calor escape. Isso se chama concentração. Repita o mesmo quando quiser cuidar da raiva: enquanto estiver caminhando ou respirando, não faça mais nada. Nada mesmo. Abrace a raiva com cem por cento do seu ser, exatamente como você faria ao cuidar de um bebê.

Depois de passar algum tempo abraçando a raiva e fazendo um exame profundo, você compreenderá melhor o que está acontecendo e a raiva diminuirá. Você se sentirá muito melhor e terá o impulso de voltar a ajudar a outra pessoa. Ao tirar a tampa da panela, as batatas exalarão um cheiro delicioso. A raiva terá se transformado na energia da compaixão amorosa. Conquistamos uma vitória para nós mesmos e para aqueles que amamos. Não espere a outra pessoa praticar para iniciar sua prática. Você pode fazer isso pelos dois.

(Tich Nhat Hanh - Aprendendo a lidar com raiva - sabedoria para a paz interior - Sextante)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Zazen Yôjinki - A que estar atento em Zazen

Zazen significa clarificar a mente e descansar tranquilamente na sua natureza presente. Isso é chamado "revelar-se a sim mesmo" e "manifestar a base verdadeira".

Corpo e mente abandonados, sem apego a formas como sentar ou deitar. Sem pensar no bem, sem pensar no mal, transcendendo o comum e o sagrado. Além de todos os conceitos sobre ilusão e iluminação, passando através das barreiras entre seres comum e Budas.

Sem fazer nada, deixe de lado todas as preocupações, desapegando-se de tudo. Não fabrique coisa alguma a partir dos seis sentidos.

Quem é este? Seu nome nunca foi conhecido. Não pode ser considerado corpo, não pode ser considerado mente. Tentando pensar sobre isso, o pensamento se esvai. Tentando falar sobre isso, as palavras somem.

Como um bobo, como um tolo. Tão alto como uma montanha, tão profundo com o oceano. Não mostra se pico mais elevado nem suas invisíveis profundezas. Brilha sem pensar.

A fonte é clara em explicação silenciosa.

Ocupando o céu e a terra, seu corpo se manifesta completo e só  - uma pessoa de incomensurável grandeza, como se estivesse completamente extinta, cujos olhos não se embaçam por nada, cujos pés não são suportados por nada.

Onde há alguma poeira? Qual é a barreira? Água pura nunca teve frente nem costas, espaço nunca terá dentro nem fora. Clara como cristal e naturalmente brilhante antes de a forma e o vazio se separarem - objetos e a mente em si não têm espaço para existirem.

Sempre esteve conosco, mas nunca teve um nome. O terceiro Ancestral Fundador, um grande mestre, temporariamente o chamou "mente". O Venerável Nagyaharajuna usou esse símbolo sutil para o samádi de todos os Budas. Mas a mente é sem sinais, sem dualidade, embora formas possam diferir em aparência.

(Mestre Keizan Jokin - Japão, 1264-1325 - texto extraido do livro Zazen a prática essencial do zen - Comunidade Zen Budista Zendo Brasil)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Recesso







Praticantes,

Estaremos em recesso de 10 a 16 de fevereiro de 2013. Retornaremos dia 17 (domingo) com Zazen para iniciantes às 10h30.

gassho

Kendô Kakuzen

domingo, 3 de fevereiro de 2013

VIDA SEM MEDIDA

O Zen diz respeito a fazermos o melhor que pudermos. O problema é que geralmente não sabemos o que vem a ser fazermos o melhor possível.

Em vez disso, nos agarramos a algum conceito sobre o que significa fazer o melhor possível. Surgimos com idéias sobre o que é bom e o que é mau e sobre o que deveríamos e não deveríamos estar fazendo. E então estabelecemos objetivos padrões pelos quais medimos nosso progresso.

Agindo assim, levamos tudo para o território do ego: "Eu vou fazer o melhor que puder." "Eu vou conseguir." "Eu vou fazer melhor que os outros." Somos apanhados pelo pensamento e pela ambição pessoal, mesmo quando se trata de meditação ou sabedoria ou compaixão. "Eu irei realizar a ausência de self." "Eu vou alcançar o Nirvana." É ridículo.

Veja o estado mental que criamos com tais pensamentos. É nossa mente habitual, ávida e voraz. É fragmentada e agitada.

No Zen, fazer o melhor que pudermos significa cultivar uma mente que não seja apanhada em práticas egoístas. É vigiar quando nossa fala e comportamento nos coloca à parte, nos separa ou nos deixa em oposição aos demais. 

Fazer o melhor que puder é penetrar neste momento e ver o que está de fato acontecendo. É compreender que sua vida não é sua - que na verdade você vive inseparavelmente do Todo.

A maior parte de nós acredita que somos seres em separado. Isso apenas cria solidão, egoísmo, dor e dificuldade. Ainda, como nos vemos dessa maneira - e porque tentamos aliviar a dor que sentimos por vivermos assim - gastamos uma enorme quantidade de energia e recursos para modificar a nós mesmos, uns aos outros e ao nosso ambiente, tudo num esforço para satisfazer nossos  interesses imediatos. Enquanto isso, temos pouca ou nenhuma consciência de como nossas ações afetam os outros - e pouco reconhecimento de que o que afeta os outros afeta a nós também.

É muito fácil para nós olharmos "lá fora" e reagirmos a como "aquilo" afeta negativamente a "mim". "Eu não quero um bambu crescendo aqui!" "Eu não quero abelhas fazendo casa embaixo da minha calha." "Não quero que meus investimentos dêem menos que 10% de lucro." No entanto, raramente consideramos a qualidade das nossas mentes ou o impacto de nossas ações no mundo.

(O Budismo não é o que você pensa - Encontrando liberdade para além de crenças - Steve Hagen)

Arte: Hugo Pullen