quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sobre a oração


foto: RosaCruz Auréa




As palavras de nada valem se o coração não estiver presente e desperto em cada sílaba. E quando o coração não está presente e desperto, melhor é que a língua durma ou que se esconda atrás dos lábios fechados.

Nem precisais de templos para orardes.
Quem não pode encontrar um templo em seu coração, jamais encontrará seu coração num templo.

( O Livro de Mirdad )

domingo, 26 de abril de 2015

O ZAZEN

Não se concentre em nada em particular, nem tente controlar seus pensamentos. Deixe-os ir e vir livremente - sem apego nem aversão, entregando-se ao momento presente.





Em zazen, o corpo, a respiração e a mente devem estar unidos, formando a unidade que são. Nossa tendência é considerá-los separados. Experimente sentir a unidade. Mantendo a postura correta, a respiração se estabilizará e sua mente ficará naturalmente tranquila - ou não. Observe.

Mantenha-se imóvel durante todo o período, que pode ser de 20 a 50 minutos, dependendo do local de prática. Se sentir alguma dor, verifique se sua postura está correta. Se necessário, faça pequenos ajustes. Mas não fique se movendo muito ou tentando levantar os joelhos do chão. Pelo contrário. Procure relaxar no local da dor e pressionar os joelhos contra o chão, mantendo o alongamento da coluna. O corpo é sabedoria. Confie.

Se a dor persistir, sinta a dor. Ela tem cor, sabor, textura? Qual o ponto principal? Onde começa? É possível enviar oxigênio para a dor? Há momentos em que é possível esquecer-se da dor. Em outros momentos, ela parece ser tudo o que está acontecendo. Torne-se a dor e uma mudança acontecerá. Não haverá mais dualidade.

Pequenos desconfortos posturais são comuns no início da prática. 

Sinta-os. Não fuja deles se movendo. Não desista. O corpo se adapta e pode encontrar grande conforto ao se entregar à postura correta. Entretanto, esteja atento e também não se force a suportar dores que são fruto de lesões anteriores ao zazen. Nada é obstáculo à prática. Pelo contrário. O que estiver ocorrendo é o zazen.

Pensar, não pensar, além do pensar e do não pensar. Apenas sentar-se (shikantaza), e a grande realização dos Budas Ancestrais estará a seu dispor. Aprecie o silêncio da mente e deixe que o zazen faça zazen. Não é fechar a porta dos sentidos, mas é ceder, entregar-se, sem resistência. É desprender-se da intenção e do seu próprio eu para tornar-se a vida da Terra.

"Eu, a grande Terra e todos os seres, juntos, simultaneamente, nos tornamos o Caminho". (Sidarta Gautama, no momento de sua iluminação, quando se torna Xaquiamuni Buda).

(Zazen - a prática essencial do zen- Comunidade Zen Budista Zendo Brasil)


quinta-feira, 23 de abril de 2015

VIDA SEM MEDIDA


Foto: Ricardo Takamura


Na prática do Zen nós simplesmente prestamos atenção ao agora, a este momento - sem preocupação em tornar a mente melhor, ou mais focada, ou mais concentrada ou iluminada.

Não se trata de tentar combater nossa mente até a submissão, ou de nos forçarmos a sentar numa almofada. (Na realidade, muitos de nós começaram deste modo, mas mais cedo ou mais tarde essa atitude teve fim, quer pela compreensão, ou pela desistência).

Para fazer o melhor possível, nós apenas precisamos compreender que nosso ponto de vista habitual não é apropriado e mudar nossa atitude com relação a esta prática. Temos que aprender a apenas praticar - sinceramente, sem objetivos, sem nenhum ganho ou motivo.

Nosso estado mental natural - a qualidade de mente natural, pura - já está presente. Nós não precisamos "obtê-lo". A iluminação já está presente. Não é algo que precisamos adquirir.

No Zen, nossa prática é penetrar neste momento, estar completamente vivo em cada momento, renascer em cada momento, de novo e outra vez - novo, fresco, vibrante, vivo, limpo e saudável. É viver naturalmente e sem culpa.

(O Budismo não é o que você pensa - Steve Hagen)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Os rótulos não devem condicionar a mente




Foto: Ricardo Takamura


A verdade não tem rótulos.  Ela não é budista, judaica, cristã, hindu ou muçulmana. Não é monopólio de quem quer que seja. Estes e outros rótulos sectários são obstáculos à Compreensão da Verdade, porque germinam no homem o individualismo, que é o espírito da separação e condicionamentos, como os preconceitos e outros, prejudiciais a sua mente. Isto é válido tanto em assuntos intelectuais, como em espirituais, e também nas relações humanas. Quando encontramos alguém, não o consideramos simplesmente um ser humano. Logo o identificamos com um rótulo: inglês, francês, alemão, japonês, judeu, branco ou preto, católico, protestante, budista etc. Imediatamente o julgamos com todos os preconceitos e atributos associados ao rótulo condicionado em nossa mente. E, não raro, acontece, na maioria das vezes, que o referido indivíduo está inteiramente isento dos atributos que lhe conferimos.


Apaixonamo-nos de tal modo pelos rótulos discriminativos, que chegamos ao ponto de aplica-los às qualidades e sentimentos humanos comuns a todos.  Falamos de diferentes “tipos” de caridade como, por exemplo, a caridade budista, ou a caridade cristã e desprezamos os outros tipos de caridade. No entanto, a caridade não pode ser sectária, pois se o for, já não é mais caridade. A caridade é a caridade e nada mais; não é budista, nem cristã, hindu ou muçulmana. O amor de uma mãe para com seu filho é simplesmente o amor maternal, e este não é budista ou cristão, nem pode ter outras classificações.


(Budismo psicologia do autoconhecimento - Dr. Georges da Silva e Rita Homenko - Ed. Pensamento)

sábado, 11 de abril de 2015

O conhecimento é um obstáculo para o conhecimento




foto: Araquém Alcântara


Frequentemente, nosso próprio conhecimento é o maior obstáculo para entrarmos em contato com as coisas tal como elas são. Esta é a razão para ser muito importante aprender a descartar nossos próprios pontos de vista. O conhecimento é um obstáculo para o conhecimento. Se você é dogmático em sua forma de pensar, é muito difícil receber novos insights para conceber novas teorias e compreensões sobre o mundo. O Buda falou para considerarmos seu ensinamento como uma balsa que ajuda você a chegar à outra margem. O que você precisa é de uma balsa para atravessar o rio, para chegar do outro lado. Você não precisa de uma balsa para adorar, para carregar nos ombros e para ter orgulho por ter posse da verdade.

O Buda falou que até o Darma tem que ser descartado, isso sem mencionar o não Darma. Algumas vezes, ele ia mais longe. Ele disse que seu ensinamento era como uma cobra. É perigoso. Se você não sabe como lidar com ele, você será picado.

Um dia, em um encontro, um mestre Zen disse: "Caro amigo, sou alérgico à palavra "buda". Você sabe que ele é um mestre Zen porque ele fala sobre o Buda desta forma: "Toda vez que sou forçado a proferir a palavra "Buda", tenho que ir até o rio e enxaguar minha boca três vezes." Muitas pessoas ficaram confusas porque ele era um professor de budismo. Ele deveria louvar o Buda. Por sorte, havia uma pessoa no grupo que entendeu. Ela se levantou e disse: "Caro professor, toda vez que eu ouço você dizer a palavra "Buda" tenho que ir ao até o rio e lavar meus ouvidos três vezes". Este é um exemplo budista de um bom professor e de uma boa aluna!

Thich Nhat Hanh 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Atenção Plena

"Há realmente apenas um problema - a distração.
E, portanto, apenas uma solução - a atenção plena."


 Dzongsar Khyentse Rinpoche

Foto: Araquém Alcântara


segunda-feira, 6 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

Poderes Sobrenaturais



Jalapão/TO - foto: Araquém Alcântara



Queremos milagres. Queremos poderes sobrenaturais. Respeitamos e honramos pessoas que parecem ter esses poderes.


O grande poder é o da vida.


Silencie por uns instantes. Sinta a brisa, ouça os pássaros, as folhas das árvores ao vento. Todas as formas de vida "intersendo".


O coração humano não deixa de bater, mesmo quando estamos dormindo. Temos pensamentos, escrevemos poesias, compomos músicas, imaginamos cidades e as construímos. Poderes sobrenaturais.


Não procure ganhar poderes raros, mas desenvolva os poderes naturais do ser humano.


Não corra atrás de poderes extraordinários. Desenvolva o seu poder de atenção plena, de respeito à vida - sua própria vida manifesta em cada criatura - e sentirá prazer na existência. Existe algo melhor?


Aprecie sua vida. Aprecie a vida. Vivendo com a elegância simples de fazer o bem a todos os seres.



Monja Coen (A sabedoria da transformação - Reflexões e experiências)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Mudar

"Um simples alfinete é capaz de movimentar 
um lago.
Faça pequenas revoluções.
Comece mudando as próprias atitudes.
E, aos poucos, o mundo que o cerca mostrará as mudanças que começaram em você."

(Aqui e Agora - 100 pensamentos zen-budistas para uma vida melhor - Bruno Pacheco)


Foto: Lou Gaioto