quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Vida Simples





Povo Munduruku - PA - foto: Frei Sebastian Robledo


"Uma vez perguntaram ao mestre Buda porque tão poucas pessoas iluminadas existiam. Será que é tão difícil assim perceber a própria iluminação?

Buda respondeu: “Faça uma experiência. Vá ao vilarejo mais próximo e durante todo o dia pergunte a diversas pessoas o que elas mais querem na vida”. Eis que o discípulo foi e voltou no fim do dia para falar com o mestre.

“Conversei com muitas pessoas. Muitas respostas. Algumas querem um bom casamento, outras desejam muito dinheiro, outras almejam fama e poder, e ainda outras querem prestígio, reconhecimento...”

Então Buda respondeu: “Já tens tua resposta. Muito poucas pessoas desejam a iluminação, que é simplesmente uma vida natural e simples. Tão natural que a paz que procuram já está no vento que sopra, no ar que respiram, na nuvem que passa, no sol que aquece, e na chuva que molha".


(Silêncio Divino) 

Sutra do Coração


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A dança das abelhas

Foto: Ricardo Takamura



Somos aquilo que sentimos e percebemos. Se estamos zangados, somos a raiva. Se estamos apaixonados, somos o amor. Se contemplamos um pico nevado, somos a montanha. Ao assistir a um programa de televisão de baixa qualidade, somos o programa de televisão. Enquanto sonhamos, somos o sonho. Podemos ser qualquer coisa que quisermos, mesmo sem uma varinha mágica. 


Extraído do livro "O sol meu coração" de  Thich Nhat Hanh

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O agradável





Foto: Luis Jungmann Girafa


1. Aquele que se entrega às distrações da mente e não se dedica à prática da mente atenta, renuncia ao caminho do seu próprio bem-estar. Agarrando-se aos prazeres mundanos, esquecendo-se do seu verdadeiro propósito, ele inveja o homem que se dedica à meditação.

2. Evite o apego tanto ao agradável quanto ao desagradável. Tanto o apego quanto a aversão conduzem ao sofrimento.

3. Não se prenda à coisa alguma. A perda do que nos é caro traz sofrimento, mas não há prisão àqueles aos quais nada é caro ou detestado..

4. Do apego emana o sofrimento. Do apego aflora o medo. Para aquele que se faz inteiramente livre, não há sofrimento nem medo.

(O Dhammapada - O Nobre Caminho do Darma do Buda)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os Preceitos

 
Foto: João Antônio

Certa vez, um aluno meu reclamou: "Estou praticando zazen com você há muitos anos, mas até agora meu estágio meditativo não evoluiu muito, nem houve nenhuma boa transformação  em minha vida." Quando perguntei a ele sobre a sua prática dos cinco preceitos, ele disse: "Ah, não! Eu sou livre, não quero saber dos preceitos. Só faço zazen!". Geralmente as pessoas têm uma incompreensão sobre o significado dos preceitos. Elas pensam apenas no aspecto restritivo. Não faça isto, não faça aquilo. Porém, os preceitos são como uma espécie de "salvaguarda", especialmente enquanto nossos olhos ainda não se abriram o suficiente e nosso andar é, consequentemente, trôpego. Por exemplo, muitas pessoas refletiram bastante sobre o tráfego e criaram sinaleiras com todas aquelas luzes coloridas. A luz vermelha significa: o carro deve parar; assim os pedestres podem atravessar de modo seguro a via até o outro lado. Se um motorista não liga para as luzes dizendo: "Ah! Eu sou livre, não quero nem saber, posso fazer o que bem quiser..." Então o que acontece? BUUUMMM!!!". Não há segurança para este motorista, nem para o pedestre. O mesmo ocorre com os preceitos budistas, eles tornam o nosso caminho seguro. O Buda nunca diz: "Pare!" ou "Não faça isto!". Ele diz: "Se você mantiver e fizer algum esforço para viver os preceitos, será mais seguro e fácil para você dar os seus passos no seu caminho até a iluminação". Você decide se fará isto ou não, mas já sabe que os preceitos podem ajudar você e as pessoas que estão lhe acompanhando. Assim, os preceitos mostram uma boa direção, uma senda segura, a senda da virtude, para você trilhar. 

(Primeiros Passos no Zen - Mestre Zen Moriyama Roshi)