sexta-feira, 19 de agosto de 2016

As ondas mentais




"Uma vez que desfrutamos todos os aspectos
da vida como um desdobramento da mente grande,
não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva.
Assim, nossa serenidade é imperturbável."

Foto: Araquém Alcântara


Quando estiver praticando zazen, não tente deter seu pensamento.
Deixe que ele pare por si mesmo. Se alguma coisa lhe
vier à mente, deixe que entre e deixe que saia. Ela não permanecerá
por muito tempo. Tentar parar o pensamento significa que
você está sendo incomodado por ele. Não se deixe incomodar
por coisa alguma. Pode parecer que essa coisa vem de fora mas,
na verdade, são apenas as ondas de sua mente e se você não se
deixar incomodar por elas, gradualmente se tornarão mais e mais
calmas. Em cinco ou dez minutos, no máximo, sua mente estará
calma, serena. Sua respiração então se tornará mais lenta e a
pulsação, um pouco mais acelerada.



Leva um certo tempo até que a mente se acalme durante
sua prática. Surgem muitas sensações, muitos pensamentos ou
imagens, mas são apenas ondas da própria mente. Nada vem de
fora dela. Em geral, pensamos que nossa mente recebe impressões
e experiências do exterior, mas isso não é uma compreensão
correta da nossa mente. A verdade é que a mente inclui tudo;
quando pensamos que algo surge de fora, isso quer dizer somente
que algo surge na nossa própria mente. Nada exterior a si
mesmo pode perturbá-lo. E você mesmo que cria as ondas da
mente. Se deixar a mente como ela é, ela se tornará calma. Esta
é a chamada mente grande.



Quando a mente está vinculada a algo fora dela própria, trata-
se da pequena mente, uma mente limitada. Se sua mente não
estiver vinculada a nada, então não haverá mais compreensão
dualista na atividade de sua mente. Compreenderá que a atividade
não é mais do que ondas da sua mente. A mente grande
experimenta tudo dentro de si própria. Percebe a diferença entre
ambas? A mente que tudo inclui e a mente ligada a alguma
coisa em particular? Na verdade, elas são a mesma coisa, a
compreensão é que é diferente, e sua atitude perante a vida será
diferente de acordo com a compreensão que você tiver.



Que tudo esteja incluído na mente é a essência da mente; e
a experiência disto é a posse do sentimento religioso. Embora as
ondas surjam, a essência da sua mente é pura, como água clara
com poucas ondas. Na verdade, a água tem sempre ondas. Elas
são a prática da água. Falar de ondas separadas da água, ou da
água separada das ondas, é uma ilusão. Água e ondas são uma
só coisa. A grande e a pequena mente são uma só. Quando você
entender sua mente desta maneira, terá alguma segurança em
seus sentimentos. Como sua mente nada espera de fora, ela está
sempre completa. Uma mente com ondas não é uma mente perturbada e sim ampliada. Qualquer coisa que você experimente é
uma expressão da mente grande.




A atividade da mente grande é ampliar a si mesma através
das diversas experiências. Em certo sentido nossas experiências,
ocorrendo uma a uma, são sempre frescas e novas, mas em outro
sentido não passam de um contínuo e repetitivo desdobramento
da mente grande. Por exemplo, se há algo bom para o
desjejum, você dirá "isto é bom". O "bom" provém de alguma
coisa experimentada há tempos, ainda que você não lembre quando.


Com a mente grande, nós aceitamos cada experiência do
mesmo modo que reconhecemos a face que vemos no espelho
como a nossa própria face. Para nós, praticantes, não existe o
medo de perder essa mente. Não há qualquer lugar, nem para
onde ir, nem de onde voltar; não existe medo da morte, do sofrimento da velhice ou da doença. Uma vez que desfrutamos todos os aspectos da vida como um desdobramento da mente grande, não precisamos ir em busca de uma alegria excessiva. Assim, nossa serenidade é imperturbável, e é com essa imperturbável serenidade da mente grande que praticamos zazen.

(Mente Zen, Mente de Principiante - SHUNRYU SUZUKI)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Monja Coen em Brasília




Palavras do Darma



Bahia - Brasil - foto de Araquém Alcântara


É bom conhecer nossos limites.
Para não nos ferirmos nem ferirmos os outros.

Mas, ao mesmo tempo, temos de atravessar o muro, o ponto da ruptura entre o possível e o sonho.

(Palavras do Darma - Monja Coen)