quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

De que modo uma Sangha nos ajuda



A presença de uma Sangha é uma oportunidade maravilhosa para permitir que a sua energia coletiva penetre em nosso corpo e consciência. Tiramos muito proveito dessa energia coletiva. Podemos confiar a nós mesmos à Sangha, porque ela está praticando, e a energia coletiva da atenção plena é forte. Embora possamos confiar na energia da atenção plena gerada por nossa prática pessoal, às vezes, isso não é suficiente. Mas se você souber como utilizar essa energia da atenção plena para a energia coletiva da Sangha, você terá uma poderosa fonte de energia para a sua transformação e cura.

O seu corpo, a sua consciência e o seu ambiente são como um jardim. Pode haver algumas árvores e arbustos morrendo e isto pode fazer você se sentir assolado por angústia e sofrimento. É possível que você não perceba que existem ainda muitas árvores em seu jardim que são sólidas, vigorosas e belas. Quando os membros de sua Sangha entrarem em seu jardim, eles poderão ajudá-lo a reconhecer as inúmeras árvores belas ali existentes e a apreciar aquilo que não se desvirtuou na paisagem. Ao sentar perto dessas pessoas, ao caminhar perto dessas pessoas, você pode tirar proveito  de sua energia e recuperar o seu equilíbrio. Quando a energia de atenção plena dessas pessoas é combinada com a sua, você será capaz de tocar a beleza e a felicidade.

Nada é mais importante do que a sua paz e felicidade aqui e agora. Um dia você irá jazer como um cadáver e não mais será capaz de entrar em contato com a beleza de uma flor. Aproveite bem o seu tempo: pratique estar em contato com os aspectos positivos da vida em si mesmo e à sua volta.

Não se tranque atrás de sua porta para lutar sozinho. Buscar refúgio na Sangha é uma prática muito importante. Abandonado, sozinho, você fica perdido, sem autocontrole. Assim, buscar refúgio em uma Sangha é uma prática muito profunda, especialmente para aqueles entre nós que se sentem vulneráveis, inseguros, agitados e instáveis. É por isso que você vem a um centro de práticas, para buscar refúgio na Sangha. Você permite que a Sangha o transporte como um barco, para que você possa atravessar o oceano do sofrimento.

(Thich Nhat Hanh - Eu busco refúgio na Sangha - Um caminho espiritual)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O que é a prática



A prática é muito simples. Isso, entretanto, não significa que não irá transformar por completo nossa vida. Quero rever o que fazemos quando sentamos, ou praticamos o zazen. Se acreditarem que já estão além disso, bem, podem pensar que estão além.


Sentar é essencialmente um espaço simplificado. Nossa vida diária está em constante movimento: acontecem muitas coisas, muitas pessoas falam, muitos acontecimentos ocorrem. Em meio a tudo isso, é muito difícil sentir o que somos em nossa vida. Quando simplificamos a situação, quando deixamos os elementos externos de lado e nos retiramos do alcance do toque do telefone, da televisão, das pessoas que nos visitam, do cachorro que precisa passear, temos uma chance – que é, exatamente, a coisa mais valiosa que existe – de ficar de frente para nós mesmos. A meditação não está relacionada com algum estado e, sim, com seu praticante. Não diz respeito a alguma atividade, ou a consertar ou a conseguir algo. Refere-se a nós. Se não simplificamos a situação, a oportunidade de dar uma boa olhada em nós mesmos fica muito reduzida, porque aquilo que nos propomos a ver não somos nós e, sim, tudo o mais. Se algo dá errado, para o que olhamos? Olhamos para o que saiu errado e, em geral, para aqueles que a nosso ver foram os responsáveis. Ficamos o tempo todo olhando para fora, e não para nós.

Quando menciono que a meditação diz respeito a quem a pratica, não pretendo que nos comprometamos numa auto-análise. Não é isso também. Então fazemos o quê?

Depois de termos assumido nossa melhor postura (que deveria ser equilibrada, fácil), ficamos apenas sentados ali, praticamos zazen. O que significa ‘apenas sentados ali”? Essa é a mais exigente de todas as atividades. Por via de regra, na meditação, não fechamos os olhos. Neste momento, porém, gostaria que fechassem os olhos e ficassem apenas sentados. O que está acontecendo? Toda espécie de coisas. Uma fisgada mínima no ombro esquerdo; uma pressão no lado… Percebam o rosto por um momento. Sintam-no. Estará tenso em algum lugar? Em torno da boca, na testa? Vamos descer um pouco mais. Observem o pescoço, somente sintam-no. Agora, os ombros, as costas, o peito, a região abdominal, os braços, as coxas. Continuem sentindo tudo que encontrarem. Agora sintam a respiração entrando e saindo. Não tentem controlá-la, apenas senti-la. Nossa primeira reação é tentar segurar a respiração. Deixe que aconteça naturalmente. No alto do peito, no meio, na barriga, pode parecer tensa. Apenas sinta como está. Sintam tudo isso. Se um carro passa lá fora, ouçam-no. Se um avião passar, observem-no. Talvez ouçam o barulho cíclico do motor da geladeira. Que seja! E o que vocês têm de fazer, positivamente é tudo o que vocês têm de fazer: experimentar isso e apenas ficar com essa experiência. Agora podem abrir os olhos.

Se conseguirem ficar fazendo isso durante três- minutos, é um milagre. O normal é que, decorrido um minuto, começamos a pensar. Nosso interesse em apenas acompanhar a realidade (que é o que acabamos de fazer) é muito reduzido. ‘Você quer dizer que zazen é só isso?” Não gostamos dele. “Estamos em busca da iluminação, não?” Nosso interesse pela realidade é extremamente pequeno. Nós queremos pensar. Queremos nos afligir com todas as nossas preocupações. Queremos entender qual é o sentido da vida. Assim, antes de nos darmos conta, teremos esquecido por completo deste momento e teremos divagado em pensamentos sobre as coisas: o namorado, a namorada, o filho, o patrão, o medo permanente… e por aí afora! Nada há de vergonhoso nesse fantasiar, exceto que, quando estamos imersos nele, perdemos alguma outra coisa. Quando estamos perdidos em nossos pensamentos, quando estamos sonhando, o que perdemos? A realidade. Nossa vida nos escapou.

(Charlotte Joko Beck - extraído do livro Sempre Zen)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Nehan Sesshin - Vila Zen





ÚLTIMAS VAGAS, ÚLTIMAS SEMANAS COM DESCONTO.
Estamos na reta final das inscrições para o Nehan Sesshin, nosso tradicional retiro de 9 dias que acontece de 2 a 9 de março no Vila Zen, nosso centro na área rural de Viamão. Informações e inscrições: inscricoesvilazen@gmail.com
O retiro recebe tanto praticantes experientes quanto iniciantes do Zen Budismo. Todos são acolhidos e tem apoio para praticar de acordo com suas aspirações e condições. Quem não pode participar nos 9 dias tem a opção de participar em estadias mínimas de 4 dias.
Saiba mais sobre o retiro no link: 
http://www.viazen.org.br/si/site/0322/p/Nehan%20Sesshin

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

História de Buda


O tolo

1. Longa é a noite do insone. Longa é a jornada do fatigado. Longo é o caminho do nascimento e da morte para o tolo que desconhece o sublime Darma.

2. Se um caminhante não encontra ninguém melhor ou igual a ele, antes de padecer da associação com tolos, que prossiga sozinho e resoluto em sua jornada.

(O Dhammapada)