segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Foto: Araquém Alcântara - Pantanal Mato Grosso


A prática do Zen não é fácil.

A prática do Zen é Zazen.

Olhar para a parede, olhar para si mesmo.

É uma prática árdua, seca.

Sem músicas, sem induções, sem histórias, sem imagens, sem nada.

Apenas o nada.

Você com você.

A mente com a mente.

E tudo o que você precisa ver sua mente lhe mostrará.


(Monja Coen - Palavras do Darma)

domingo, 31 de agosto de 2014

Uma mente feliz




foto: Lou Gaioto


A verdadeira felicidade vem do coração. Vem de uma mente que se tornou mais estável, mais clara, mais presente no momento; uma mente aberta e que se preocupa com a felicidade dos outros seres. 


É uma mente que tem segurança interna, que sabe que pode lidar com o que quer que aconteça. 

É uma mente que não agarra mais as coisas com tanta força. 

É uma mente que segura as coisas de leve. Esse tipo de mente é uma mente feliz.

(Jetsunma Tenzin Palmo)




sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Fluxo

Foto: Lou Gaioto

Quando os budas olham o mundo, não vêem solidez. Eles não vêem os eus. Vêem apenas fluxo.

Isso não significa que a pessoa desperta não enxerga mais formas como o resto de nós. Eles vêem as formas - ou, por assim dizer, "a condição de forma" - mas como algo ilusório. Eles vêem que todas as coisas surgem juntas. Vêem que a aparente existência de qualquer coisa depende de tudo o que ela não é, e vêem essa dependência como nada mais que a própria mudança e o próprio movimento. 

Buda chamou esse fenômeno de surgimento dependente. O surgimento dependente consiste na fórmula: "Quando isto surge, aquilo acontece." Quando os dias ficam mais longos, as flores brotam. Quando os dias são mais curtos, as cores do outono aparecem e as folhas caem das árvores. As flores da primavera são inseparáveis dos dias longos; as cores do outono, inseparáveis dos dias menores e com menos luz. De fato, as flores da primavera são os dias mais longos; as cores do outono são os dias mais curtos. Na realidade, todos os fenômenos trabalham juntos como um todo integrado. 

O surgimento dependente não é algo vago, místico, remoto e intelectual. O buda-dharma é muito prático e realista. Basta prestar atenção redobrada em sua experiência real e você mesmo verá isso. 


(Budismo Claro e Simples - Steve Hagen)



A PAZ É ... 
Estar na 
presença de vida

Flor de Jambeiro - foto Alice Kohler



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Foto: Laila Menezes


Denkoroku

Anais da Transmissão da Luz

Mestre Keizan Jokin



— Buda Xaquiamuni —

Caso



Xaquiamuni Buda, ao ver a estrela da manhã, se ilumina e diz: ―Eu e todos os seres da Grande Terra simultaneamente nos tornamos o Caminho.


Circunstâncias

Xaquiamuni Buda descendia da linhagem do Sol, na Índia antiga. Aos dezenove anos, ele deixou o palácio de Kapilavastu no meio da noite e cortou seus cabelos no monte Dantokuzan, renunciando ao mundo. Praticou austeridades por seis anos. Então, finalmente se sentou corretamente no Trono do Diamante. Aranhas teceram teias em suas sombrancelhas, passarinhos fizeram um ninho em sua cabeça e ervas cresceram por dentre suas pernas. Assim se sentou, tranquilo, ereto, imóvel por seis anos.

Com trinta anos, no oitavo dia do décimo segundo mês, obteve a iluminação ao ver a estrela da manhã. As palavras acima foram seu primeiro rugido de leão.

Desse dia em diante, por quarenta e nove anos, nunca mais ficou sozinho. Não passou nem mais um só momento sem pregar o Darma. Vivia com apenas um manto e uma tijela, e nada lhe faltava. Pregou o Darma incessantemente para mais de trezentas e sessenta assembléias. Finalmente transmitiu o Olho Tesouro do Darma Correto a Makakashô. Esta transmissão tem sido passada de geração a geração até o presente. Na verdade, a transmissão ocorreu através da Índia, China e Japão e é a base da prática do Darma Correto.

Toda a vida de prática de Xaquiamuni Buda é um modelo para os discípulos que ele deixou. Apesar de possuir as trinta e duas marcas especiais de grandeza e as oitenta marcas menores, ele tinha a aparência comum de um velho monge, sem ser diferente das outras 
pessoas. Desta maneira, desde que esteve no mundo, e durante as três eras de seus ensinamentos — a era do Darma Correto, a era do Darma Imitado e, presentemente, do Darma Degenerado — todos aqueles que seguem seus ensinamentos e sua conduta têm se baseado em suas ações e suas maneiras, usam aquilo que ele usava e, em cada momento — seja andando, em pé, sentando-se ou se deitando — fazem como Buda fazia, com plena atenção e sem egoísmo. Assim, nem um só momento se passou com apego ao eu. Buda após Buda e Patriarca após Patriarca têm transmitido diretamente a Lei Verdadeira, sem interrupção. Desta forma o Darma Correto nunca se extingue, como este caso claramente indica. Durante quarenta e nove anos, em mais de trezentas e sessenta ocasiões, Buda expôs o Darma para diferentes Assembléias, utilizando diferentes palavras, metáforas, estórias e 
figuras de linguagem. No entanto, todas são expressões deste mesmo princípio, ilustrado pela estória de sua iluminação.

Teishô

O ―eu mencionado por Xaquiamuni Buda em sua iluminação não é Xaquiamuni Buda, mas Xaquiamuni Buda emerge deste ―Eu com a Grande Terra e todos os seres. Quando se levanta uma grande rede, todos os buracos desta rede também são levantados. Da mesma forma, quando Xaquiamuni Buda se iluminou, a Grande Terra e todos os seres também foram iluminados. Não apenas a Grande Terra e todos os seres, mas também todos os Budas do passado, presente e futuro.

Assim, não pense que foi apenas Xaquiamuni Buda a ser iluminado. Vocês não devem ver Xaquiamuni Buda separado da Grande Terra e de todos os seres. Apesar de existirem incontáveis montanhas, rios, terras e fenômenos, eles nunca são excluídos da clara visão do 
olho de Gautama. Todos vocês também estão no olho de Buda. Este olho não é apenas o olho de Buda, também é o seu olho. A pupila do olho de Gautama se torna a carne e os ossos de todos nós. Ela se torna o corpo inteiro de cada pessoa, alto como um profundo 
precipício. Por isto, não pensem que seus olhos ou seus corpos são separados do satori de Buda. Desde os tempos antigos até o presente, não houve um olho brilhante separado das pessoas comuns. Vocês são a pupila do olho de Gautama, são Gautama em seu satori; Gautama é vocês inteiros. Neste caso, o que é que vocês podem chamar de satori de Buda?

Deixem-me perguntar, oh monges: Gautama atingiu a iluminação com todos vocês? Ou vocês atingiram a iluminação com Gautama? Se vocês disserem: ―Nós atingimos a iluminação com Gautama ou ―Gautama atingiu a iluminação conosco, esta não é a iluminação de Gautama. Este não é o princípio da iluminação.

Se vocês querem uma compreensão íntima da iluminação, vocês devem imediatamente se livrar de ―vocês e ―Gautama e rapidamente entender o ―Eu. ―Eu é a Grande Terra e todos os seres como ―e. ―E não é ―eu como o velho Gautama. 

Examinem cuidadosamente e clarifiquem este ―Eu e este ―e. Mesmo que vocês clarifiquem este ―Eu, se não clarificarem este ―e, vocês perderão o olho inteiro.


Assim sendo, ―eu e ―e não são idênticos nem diferentes. Verdadeiramente, sua pele, carne, ossos e medula são totalmente ―e. O ―senhor da casa, seu Eu Verdadeiro, é ―Eu. 

Não tem pele, carne, ossos ou medula, não tem nada a ver com os quatro elementos ou os cinco agregados. Finalmente, se você quer conhecer o ―homem imortal em sua ermida, como poderia ser algo separado deste saco de pele? Assim, não pense em todas as coisas 
como separadas dele.

Embora as estações do ano mudem e as montanhas, rios e a terra tomem diferentes formas, na verdade isto é apenas Buda levantando suas sombrancelhas e piscando seus olhos. Tudo 
isto é este corpo único, abertamente, independentemente exposto nas miríades formas. Ele ―apaga as miríades formas e ―não apaga as miríades formas (obs: alternativa- ele ―varre as miríades formas). O antigo mestre Hogan (Fa-yen) disse: ―o que você pode chamar de apagar ou não apagar?. Jizo (Ti-tsang) respondeu: ―o que você quer dizer por miríades de formas‘?.

Assim, em sua infinita e incessante prática, estudem e penetrem isto completamente. 

Clarifiquem a iluminação de Gautama e a de vocês também. Considerem este koan cuidadosamente e, sem emprestar palavras aos Budas do passado ou do presente, deixem que a resposta flua de seus corações. Por favor, me mostrem sua compreensão no próximo discurso do Darma.


Verso


Este monge das montanhas gostaria de dizer algumas humildes palavras sobre este caso. 

Vocês gostariam de ouví-las?



Um ramo esplêndido brota da velha ameixeira

Em tempo, espinhos florescem em toda parte.


(in Denkoroku - Anais da Transmissão da Luz - Mestre Keizan Jokin)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Felicidade

foto: João Antônio



Não sigamos líderes vulgares,
Que exploram o medo da morte
E prometem o êxtase da salvação.
Se formos verdadeiramente felizes,
Eles não terão nada a oferecer.


Alguns líderes usam ameaças para conseguir adeptos. Invocam a morte para forçar o bom comportamento e arrebanhar pessoas para o paraíso.

Outros seduzem com promessas grandiosas. Se você não está satisfeito, oferecem bem-aventurança. Se você se sente inadequado, oferecem sucesso. Se você é solitário, oferecem aceitação.

Se, porém, não temermos a morte e formos felizes, o que tais líderes terão a oferecer? A espiritualidade é uma parte orgânica da vida diária, não algo administrado por um profissional. A verdadeira espiritualidade é liberação, não apenas das ilusões da realidade, mas também das ilusões da religião. Se nos libertarmos do medo da morte e conquistarmos um caminho firme de saúde e de compreensão através da vida, haverá felicidade e nenhuma necessidade de falsos líderes.


(Tao meditações diárias – Deng Ming Dao)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014





“Quando aprendemos a ser despreocupados ficamos desapegados dos problemas e naturalmente felizes. Ao criarmos o hábito de pensar apenas o que é necessário, haverá uma grande economia de pensamentos e energia. Por outro lado, se o nosso tempo é perdido em pensamentos inúteis, o intelecto torna-se fraco e cansado. Assim como as preocupações inibem e ocultam os nossos talentos, a calma na mente inspira e desenvolve a criatividade.”

Brahma Kumaris