domingo, 20 de maio de 2012

Atenção

A atenção - plena e total - é tudo. A falta de atenção é responsável por grande parte da violência e do sofrimento do mundo atual. Pois é a mente que se sente separada da vida e da natureza, a mente dominada por um "eu" onipresente, que sai para destruir e matar, a fim de satisfazer seu desejo de cada vez mais - a qualquer custo. Essa mente desatenta nutre insensibilidade pelas coisas e pessoas porque não vê ou reconhece o valor delas como realmente são, vendo-as apenas como objetos a serem usados para saciar os próprios desejos. A pessoa profundamente atenta vê a indivisibilidade da existência, a rica complexidade e a interconexão de toda a vida. Dessa atenção advém um profundo respeito pelo valor absoluto de todas as coisas, de cada coisa. Desse respeito pelo valor de cada objeto individual, animado ou inanimado, vem o desejo de ver as coisas usadas apropriadamente, em vez de ser descuidado, esbanjador ou destrutivo.

Praticar verdadeiramente o Zen significa, portanto, não deixar lâmpadas acesas quando não estão sendo necessárias, a água jorrar desnecessariamente da torneira, encher o prato e deixar comida sobrando. Esses atos impensados revelam uma indiferença pelo valor do objeto desperdiçado ou destruído, bem como pelos esforços de quem nos proporcionou tais coisas: no caso da comida, o fazendeiro, o caminhoneiro, o varejista, o cozinheiro, a pessoa que serve a comida. Essa indiferença é produto de uma mente que se vê separada de um mundo de mudanças aparentemente aleatórias e do caos inútil. Essa indiferença priva-nos de nosso direito de nascença à harmonia e à alegria.

(Zen Budismo - O caminho da iluminação - Roshi Philip Kapleau - ARX)

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