quinta-feira, 22 de maio de 2014

Relaxe

Foto: Araquém Alcântara


“Soltar, diminuir o ritmo e parar não são apenas essenciais para chegar à iluminação, mas também cruciais para sobrevivermos na vida cotidiana. O estresse, que é causado por não saber como não fazer nada, é a mais essencial arma de destruição em massa. Tantas doenças, mentais e físicas, são causadas por estresse. Há três séculos e meio, o filósofo francês Blaise Pascal reconheceu isso quando disse, “Todos os problemas do homem vem de não saber sentar e parar”.

Em uma parte do tempo não há nada a fazer. Mesmo assim nessas horas você é incapaz de não fazer nada. Você esqueceu como é isso. Por isso você se debate inutilmente. Se você fosse sábio, quando não houvesse nada para fazer então você não faria nada! Faz tanto sentido.

Todos nós precisamos aprender a não fazer nada para que nas horas certas possamos descansar e relaxar. Felizmente, para aqueles que não tem a oportunidade de ir aos mosteiros, professores estão disponíveis em bom número na maioria das cidades modernas. Eles podem ser encontrados nos grandes cruzamentos. Eles são os semáforos. Quando a luz vermelha aparecer, ela diz “Pare!”. Essa é a prática de soltar. Você já aprendeu a não fazer nada quando o sinal fica vermelho? Ou somente o carro para enquanto você continua correndo? Se é assim, então uma oportunidade está sendo perdida. No sinal vermelho, você pode abrir sua mente ao presente e permitir a paz e a beleza inesperadas aparecerem ao seu redor. Já ouvi, mas ainda não vi, que na capital da espiritual Índia, Nova Delhi, quando o sinal vermelho se ativa aparecem cinco letras, r, e, l, a, x: relax (relaxe). Não são sinais de pare, são sinais de relaxe. Que ótima idéia. Se não é verdade, deveria ser!

Se você não reservar um tempo para aprender a não fazer nada, se você não é capaz de relaxar num sinal vermelho da vida, então brevemente você será forçado a parar num túmulo precoce. Como diz aquele ditado antigo, “A morte é o jeito da natureza forçá-lo a diminuir o ritmo”. Recomendo a meditação no lugar da morte prematura.”

~ Ajahn Brahm, em “Mindfulness, Bliss, and Beyond: A Meditator’s Handbook”


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