quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalho



Mãos em prece
“No Dia do Trabalho, eu me retiro. Para ouvir as vozes internas, que também são externas”
No Dia do Trabalho eu me retiro.
Retirar é meu trabalho.
Meditar e silenciar para poder ouvir.
Não ouvir apenas os gritos das manifestações.
Ouvir os sons e os silêncios do mundo.
Ouvir para entender.
A base do diálogo, não da discussão.
Há um ser iluminado no budismo que vê os lamentos do mundo. Não ouve, vê.

Podemos ver os lamentos e atender às verdadeiras necessidades? Sabemos quais as nossas verdadeiras necessidades? Será que devemos confiar em nossas percepções?
Até mesmo as percepções podem nos enganar.
A mente alerta, a mente desperta, vê em profundidade, analisa, questiona a si mesma.

“Estudar o Caminho de Buda é estudar o Eu. Estudar o Eu é transcender o eu. Transcender o eu é ser iluminada por tudo que existe. Nenhum traço de iluminação permanece.” (Mestre Dogen, século XIII Japão)
Estudar o Eu no qual todos e todas estão incluídos. Estudar, apreender, conhecer, reconhecer a realidade com sua múltiplas faces. Todas a minha face.

Ver os lamentos do mundo, sem se lamentar.
Manifestar-se sem ferir e sem ser ferida.
Agir no mundo e não só reagir, sem pensar.
Adequação. Discernimento correto.
Compreender o que somos, quem somos — tanto como pessoas como quanto sociedades.
Intersomos. Uma nova palavra para uma nova era.
Transcender o mundo, sendo o mundo.

Somos a vida da Terra. Não viemos de fora e não iremos para fora. Estamos interligados, interconectadas a tudo e a todos. Cada partícula contem o todo. Não somos parte do todo. Cada um, cada uma de nós é o todo manifesto.
Apreciemos.

Uma rede infinita de raios luminosos se intercruza, se interpenetra, numa trama ensurdecedoramente brilhante. Em cada intersecção há uma joia refletindo todas as direções — esta é uma descrição de textos clássicos budistas sobre o que hoje chamamos de pluriverso. Já não é mais Universo. Isso somos nós.

Acordar, despertar para a transitoriedade, a impermanência e a interdependência é o Caminho Iluminado.

No Dia do Trabalho, eu me retiro. Para ouvir as vozes internas, que também são externas.

Procuro entender as manifestações do ser e do não ser. No silêncio da mente há paz, tranquilidade. Não a paz dos tolos, que se calam por não saber. Procuro a paz dos sábios e das sábias.
Que atuam com dignidade e respeito à vida construindo a ética desta era informatizada.

Cadeirante por algumas semanas, percebo o mundo sob outro prisma. As pessoas têm cinturas e pernas. Crianças têm faces. No aeroporto a empresa de aviação me empresta uma cadeira de rodas e a jovem me coloca num corredor de espera. Lá estamos nós, cadeirantes, deficientes, idosos e idosas. Aguardamos para que alguém nos leve ao avião. No primeiro voo, quase o perdi. A jovem foi levar outra cadeirante e não voltou. Fui a última a entrar, porque tive a capacidade de mover as rodas da cadeira e ir ao balcão avisar que precisava embarcar. Poderia ter ficado esquecida ali, naquele corredor. Presa ao meu pé quebrado e a uma estrutura que desconhece como melhor atender a pessoa com deficiência.

Estamos todos aprendendo. Aprendendo a nos reconhecer semelhantes, mas não iguais. E quando entendermos que o absoluto e o relativo funcionam como uma caixa e a sua tampa, poderemos, talvez, terminar com as guerras, a fome e a miséria. (Monja Coen)



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