sexta-feira, 31 de julho de 2015

A fala correta

O modo pelo qual você se expressa pode fazer a diferença entre um desfecho com mais harmonia ou intenso conflito



Uma vez me convidaram a fazer uma palestra em uma escola particular para alunos e alunas do ensino médio. O grupo era ativo e energizado, como são os adolescentes bem alimentados e bem treinados. Ao final da palestra, uma jovem de 16 anos pediu para falar em particular comigo: “Por favor, me ajude. Meu pai, um empresário importante, recentemente começou a falar mal da família de minha mãe. Que minha mãe não serve para nada, que minha tia é tola, que minha avó é chata. Coisas assim. Eu amo meu pai, mas também amo minha mãe, minha tia, minha avó. O que devo fazer?”.


Refleti alguns instantes antes de responder. O que estaria acontecendo nessa família? Por que, de repente, o marido começaria a ver defeitos na família da esposa? Perguntei à jovem: “Sua mãe já conversou com ele sobre isso?”. Ela respondeu que sim e que não adiantara nada. Ele continuava ofendendo a família da esposa com sua língua ferina. “Então, fale você com seu pai”, decidi. “Meu pai é um homem muito importante e ocupado. Não posso falar com ele assim. “Pois faça um esforço”, disse eu. “Pergunte a ele o que o está incomodando. Estaria com problemas financeiros? Homens foram treinados a ser provedores. Quando ocorrem problemas financeiros, ficam muito nervosos, irritados. Se for isso, diga a ele que você se propõe a trabalhar e ajudar a manter a casa. E, se não for questão financeira, pergunte se ele está se interessando por outra mulher. Muitas vezes, quando uma pessoa encontra outra com quem queira se relacionar, começa a procurar defeitos em seu companheiro ou companheira para justificar seu interesse. Fale com ele”, insisti.


Alguns meses se passaram e fui novamente convocada a falar nessa mesma escola. Ao final de nosso encontro, a mesma jovem se aproximou e, de mãos postas, me agradeceu: “Fiquei com medo de falar com meu pai, mas me enchi de coragem e uma noite o abordei. Ele me ouviu comovido e, desde então, nunca mais ofendeu minha mãe e nossa família. Agradeço muito seu conselho”. Não lhe perguntei as razões de seu pai.


Talvez ele não tenha dado maiores explicações. Mas o fato de a jovem ter pedido ao pai que não ofendesse sua família, propondo-se a estar ao seu lado e a ajudá-lo, sem dúvida evitou situações de desgaste emocional para todos.

(Revista Bons Fluidos)

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