quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Como a meditação me empoderou como mãe e mudou minha maternidade


Assim que meu filho nasceu, embora tivesse 32 anos, ainda era muito passional e pouco sabia lidar com minhas emoções. Lembro de um momento em que ele teve dificuldade para dormir e eu já não aguentava mais de cansaço, estava a ponto de explodir, via aquele bebezinho indefeso chorando no berço, porque eu não conseguia mais segurá-lo e me manter em pé, e não sabia mais o que fazer. Eu chorei, gritei, deixei-o chorando sem saber o que fazer (comigo mesma) para acolhê-lo. Me senti um lixo.

Nesse dia me dei conta que precisava saber lidar com meus sentimentos e precisava colocar isso em prática, porque meu bebê dependia de mim e aprenderia comigo a gritar ou a se acalmar. Eu sabia que a melhor maneira de resolver algo era dormindo, mas eu não podia dormir, ele mamava e chorava de noite, mais do que eu pensava que conseguia aguentar. Senti que precisava de alguns minutos sozinha, precisava ficar quietinha. Então, passei a meditar todos os dias à noite durante 5 minutos (só isso mesmo, garanto que foi o suficiente para começar), até porque eu estava tão cansada que não conseguia meditar mais tempo.


Hispanic mother and son practicing yoga


Enquanto meu bebê dormia ou estava com o pai (ou a avó), eu me fechava no quarto, sentava na cama e ficava 5 minutos respirando e deixando meus pensamentos passarem pela mente. Historinhas passavam em minha frente, porém, ao invés de pegar o fio da meada do pensamento e dar corda a ele, eu respirava e não prosseguia com a história. Passava pela minha cabeça “`Preciso preparar a comida” e antes de seguir com aquele pensamento: “vou comprar legumes, fazer feijão e arroz…etc, etc”, eu respirava e deixava o pensamento ir.

Com o tempo, além dessa meditação, acrescentei outra: não reagir a qualquer estímulo. Por exemplo, no silêncio do meu recolhimento, se alguém abrisse a porta, o instinto me faria virar para ver quem era, mas eu me exercitava a não reagir instintivamente. Ouvir os barulhos de fora e não querer saber o que era, nem me prender a eles. Esse método me ajudou a ver quais eram meus hábitos e principalmente os que eu queria mudar, como por exemplo, perder o controle de minhas emoções ou descontar em alguém.

Rapidamente eu já consegui passar da percepção de que tinha agido mal, logo em seguida de ‘escorregar’, para perceber o que estava sentindo, antes de reagir como de hábito. Isso é um passo gigantesco para nossa liberdade! Passamos a observar-nos mais e escolher como queremos agir, ao invés de agir por instinto, como um bichinho. Essa consciência sobre como estou me sentindo, me deu possibilidade de perceber também como os outros (e meu filho) se sentiam.

Como vi que ao parar por cinco minutos conseguia me compreender melhor, passei a meditar por mais 5 minutos de manhã. Uau! Minha percepção sobre mim mesma e minhas consequentes empatia e compaixão, brotaram como flor de lótus, da lama. Silenciar me dá tempo para observar e escolher. Conhecer melhor meus hábitos e reações emocionais , me fizeram compreender melhor meu filho. Assim, ao invés de julgar suas atitudes, hoje posso me colocar no lugar dele e acolhê-lo como acolheria a mim mesma, quando criança.

Não pense que não sinto mais emoções negativas, a diferença é que estou mais rápida na compreensão delas e encontro mais opções do que fazer com elas, que não seja perder a consciência ou agir de forma violenta ou desequilibrada. Cada vez que consigo perceber que estou, por exemplo, sentindo raiva e, antes de tomar uma atitude, consigo tomar as rédeas, como adulta, de meus sentimentos, me sinto muito melhor comigo mesma! Vejo em meu filho, a resposta positiva disso: ele fica mais calmo, mais feliz, mais centrado, mais seguro.

Não, não estamos perfeitos e nunca seremos, porque somos humanos. Meu filho faz escândalo como qualquer outro e sente-se inseguro às vezes. E eu me vejo com vontade de gritar com ele, quando ele começa a chorar ou gritar na rua, por exemplo. Mas ao invés de fazer isso, percebo que estou com vontade, respiro fundo, compreendo que ele não sabe como agir, e que eu já sei, sento com ele no colo e acolho nossas duas crianças num abraço amoroso!

A diferença de tudo é que quando meu filho faz um ‘escândalo’, hoje vejo como uma oportunidade de, no meu exemplo, ele aprender como lidar com seus sentimentos. É um exercício diário, como nos Alcoólicos Anônimos: “Só por hoje estarei mais atenta a minhas emoções e não responderei automaticamente a elas”. Assim os episódios de brigas e falta de consciência (meus e de meu filho) espaçam-se muito! Hoje não consigo lembrar quando foi a última vez que gritei (porém, meu filho não esquece que um dia fiz isso)!

Por Juliana Corullón

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