quarta-feira, 27 de março de 2013

Meditação - Impermanência

Dhyana, meditação, consiste na prática de acalmar-se, concentrar-se e olhar profundamente. A meditação deveria ser entendida, antes de tudo, como o cultivo de samadhi, a consciência meditativa. Assim, quando recebemos ensinamentos, tais como os Três Selos do Darma - impermanência, não-eu e nirvana - como objetos de nossa concentração, eles se tornam percepções reais, integrantes da nossa experiência de vida, não apenas ideias e conceitos.

O ensinamento budista central acerca da impermanência nos diz que todas as coisas surgem e passam, de acordo com suas causas e condições. Nada dura para sempre; nada existe como algo permanente, imutável, em si mesmo. Muitos praticantes pensam que entendem perfeitamente o ensinamento acerca da impermanência, mas eles não acreditam realmente nela. Temos uma forte tendência a acreditar que permaneceremos a mesma pessoa para sempre e que nossos entes queridos também permanecerão os mesmos para sempre, mas isto é um tipo de ilusão que nos impede de viver de um modo mais atento e compassivo. Se acreditamos que tudo e todos os que amamos sempre estarão lá, teremos pouco interesse em cuidar deles e apreciá-los profundamente, exatamente aqui e agora. 

Quando perdemos algo ou alguém, nós sofremos. Quando, porém aquela coisa ou pessoa ainda esteve presente em nossas vidas, podemos não tê-la valorizado e perdemos as oportunidades de apreciá-la, pois nos faltou o vislumbre da impermanência. É muito importante tornar a percepção da impermanência o objeto de nossa consciência meditativa, pois esse vislumbre é um elemento do amor e da compaixão.

(Thich Nhat Hanh - Ação Pacífica, Coração Aberto)

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