quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Respiração
Respira ação. Ato de inspirar e expirar. Inspirando toda a vida do universo. Compartilhando o ar e suas minúsculas partículas. Inspirando a alegria e a dor.
Inspirando amigos e desconhecidos. Não há inimigos.
Inspirando raivas, amores, ternuras, terrores.
Inspirando o odor das matas e das carniças. A fragrância das flores e das fezes que se tornam o húmus de onde surgem as pétalas suaves e perfumadas.
Inspirando o céu e todos os seus anjos.
Inspirando a terra e todos os seus seres.
Inspirando dentro da terra e todos seus gases, fogo, calores.
Inspirando seu corpo e seus cheiros.
Inspirando dentro de sua mente fragrâncias e fedores.
Em cada inspiração, toda a vida se manifesta. Somos a vida.
A inspiração só acontece se os pulmões estiverem vazios. Vazios de si. Vazios do outro. Vazios de intenção. Abertos a receber o novo.
(Sempre Zen, Monja Coen)
Inspirando amigos e desconhecidos. Não há inimigos.
Inspirando raivas, amores, ternuras, terrores.
Inspirando o odor das matas e das carniças. A fragrância das flores e das fezes que se tornam o húmus de onde surgem as pétalas suaves e perfumadas.
Inspirando o céu e todos os seus anjos.
Inspirando a terra e todos os seus seres.
Inspirando dentro da terra e todos seus gases, fogo, calores.
Inspirando seu corpo e seus cheiros.
Inspirando dentro de sua mente fragrâncias e fedores.
Em cada inspiração, toda a vida se manifesta. Somos a vida.
A inspiração só acontece se os pulmões estiverem vazios. Vazios de si. Vazios do outro. Vazios de intenção. Abertos a receber o novo.
(Sempre Zen, Monja Coen)
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Ilustração: "Xaquiamuni Buda descendo a Montanha"
"No Zen nós temos o treinamento da ascensão da montanha e o treinamento da descida da montanha. O treinamento da subida da montanha é a viagem da luta para a ascensão, deixando o mundo para trás. À medida que sobe você lida com o constante diálogo interno, trabalha com a dor e o sofrimento que passa a reconhecer co
mo vindo de si mesmo(a).
As ferramentas que ajudam a alcançar o pico da montanha são a respiração, os koans (o koan é uma narrativa, diálogo, questão ou afirmação no Zen-Budismo que tem por fim revelar a Verdade) e os preceitos.
Então você chega ao grande topo místico, você conquistou a realização. Mas a realização não é muito útil no pico da montanha e, assim, o treinamento prossegue com a descida da montanha, com o retorno ao mundo. É lá que começamos a ver como a base absoluta da realidade influencia a nossa atividade diária. Descer a montanha é, sem dúvida, o aspecto mais longo da nossa prática - muito mais difícil do que perceber a natureza do universo, a natureza do eu. Uma coisa é ter um vislumbre (insight) e outra completamente diferente é realizá-lo em tudo que fazemos.
Realização é compaixão, a atividade da sabedoria no mundo."
Texto de John Daido Loori Roshi
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Continuação
Quando olhamos para uma folha de papel, pensamos que ela pertence à dimensão da existência. Houve um momento em que ela passou a existir, um momento na fábrica em que ela se tornou esta folha de papel. Mas antes da folha de papel nascer, o que ela era, nada? Será que o nada pode se tornar algo? Antes de ser reconhecível como uma folha de papel, deve ter sido outra coisa - um árvore, um galho, a luz do sol, as nuvens, a terra. Com certeza, em uma vida anterior, a folha de papel foi todas estas coisas. Se perguntarmos à folha de papel: "Conte-me suas aventuras", ela dirá: "Fale com uma flor, com a árvore ou com a nuvem, e ouça o que elas têm a dizer."
A história da folha de papel é semelhante a nossa história. Nós também temos muitas coisas maravilhosas para contar. Antes de nascermos, já estávamos em nossa mãe, em nosso pai e em nossos ancestrais. O koan "Qual era o seu rosto antes de seus pais nascerem?" é um convite a contemplar a questão com profundidade, tentando identificar a nós mesmos no tempo e no espaço. Estamos acostumados a pensar que não existíamos antes de nossos pais, que só começamos a existir quando nascemos. Mas já estávamos aqui de muitas maneiras. O dia de nosso nascimento foi apena um dia de continuação. Em vez de cantar todos os anos "Feliz Aniversário", deveríamos cantar "Feliz Continuação".
(A essência dos ensinamentos de Buda - Thich Nhat Hanh)
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Os que criam uma falsa realidade em seus punhos vazios ou na ponta de seus dedos são pouco inteligentes e pueris
O que é a falta de inteligência? O fato de não poder mudar de acordo com os fenômenos, nem de se adaptar a seus movimentos.
Nós temos de compreender, temos de encontrar a verdade eterna, temos de assimilá-la. A maneira de encontrá-la não é nem única nem simples.
Estupidez: ver apenas um lado das coisas, como um cavalo que marcha com antolhos.
Estupidez: não poder criar, nem estar fresco como uma fonte no mundo do infinito.
Poder criar diante da mobilidade dos fenômenos reflete intuição, verdadeira liberdade, sabedoria. Sabedoria criadora.
Segredo último das artes marciais, que não se limitam apenas à técnica de combate.
A verdadeira prática do Zen leva a viver uma vida criadora no mundo do infinito e do absoluto.
O que é infantilismo? As crianças não podem ter uma visão larga e ampla das coisas, nem uma compreensão profunda do futuro. Elas vêem apenas um pequeno ângulo. Assim sendo, compreendem apenas no nível do punho vazio ou da ponta dos dedos.
Nós podemos admirar o reflexo da lua no rio, mas não podemos pegá-la.
Não podemos levar nosso ouro em nosso caixão.
Uma bela mulher sem pele é como um coelho esfolado.
Nossa vida, segundo a expressão chinesa e japonesa, é como uma guerra de liliputianos ou como um combate sobre os chifres de uma serpente.
O lucro, a perda, a sorte, o azar, a pureza, a impureza... tudo isso é como um punho vazio.
(Shodoka, O Canto do Satori imediato - Yoka Daishi, tradução e comentários do Mestre Taisen Deshimaru Roshi, Pensamento)
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A essência de Buda
Buda está presente aqui; não precisamos ir ao Pico do Abutre. Não nos iludimos com simples aparências externas. Para mim, Buda não é mera forma ou nome; Buda é uma realidade. Eu vivo com o Buda todos os dias. Quando estou comendo, sento-me com Buda. Quando caminho, vou com o Buda. E quando estou dando uma palestra sobre o darma, também estou vivendo com o Buda.
Eu não trocaria esta essência do Buda pela chance de ver a forma externa dele. Não precisamos procurar às pressas uma agência de turismo, voar par a Índia e subir o Pico do Abutre para ver o Buda. Por mais atraentes que sejam os anúncios das agências, eles podem ser enganosos. Nós temos o Buda diretamente conosco aqui. Sempre que praticamos a meditação andando, podemos tomar a mão de Buda e caminhar com ele. Eis por que no budismo podemos dizer: "Nós desfrutamos de nossa caminhada até a dimensão última, segurando na mão do Buda".
(Thich Nhât Hanh, a energia da oração)
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
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