terça-feira, 20 de novembro de 2012

Continuação

Quando olhamos para uma folha de papel, pensamos que ela pertence à dimensão da existência. Houve um momento em que ela passou a existir, um momento na fábrica em que ela se tornou esta folha de papel. Mas antes da folha de papel nascer, o que ela era, nada? Será que o nada pode se tornar algo? Antes de ser reconhecível como uma folha de papel, deve ter sido outra coisa - um árvore, um galho, a luz do sol, as nuvens, a terra. Com certeza, em uma vida anterior, a folha de papel foi todas estas coisas. Se perguntarmos à folha de papel: "Conte-me suas aventuras", ela dirá: "Fale com uma flor, com a árvore ou com a nuvem, e ouça o que elas têm a dizer."

A história da folha de papel é semelhante a nossa história. Nós também temos muitas coisas maravilhosas para contar. Antes de nascermos, já estávamos em nossa mãe, em nosso pai e em nossos ancestrais. O koan "Qual era o seu rosto antes de seus pais nascerem?" é um convite a contemplar a questão com profundidade, tentando identificar a nós mesmos no tempo e no espaço. Estamos acostumados a pensar que não existíamos antes de nossos pais, que só começamos a existir quando nascemos. Mas já estávamos aqui de muitas maneiras. O dia de nosso nascimento foi apena um dia de continuação. Em vez de cantar todos os anos "Feliz Aniversário", deveríamos cantar "Feliz Continuação".

(A essência dos ensinamentos de Buda - Thich Nhat Hanh)


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os que criam uma falsa realidade em seus punhos vazios ou na ponta de seus dedos são pouco inteligentes e pueris

O que é a falta de inteligência? O fato de não poder mudar de acordo com os fenômenos, nem de se adaptar a seus movimentos.

Nós temos de compreender, temos de encontrar a verdade eterna, temos de assimilá-la. A maneira de encontrá-la não é nem única nem simples.

Estupidez: ver apenas um lado das coisas, como um cavalo que marcha com antolhos.

Estupidez: não poder criar, nem estar fresco como uma fonte no mundo do infinito.

Poder criar diante da mobilidade dos fenômenos reflete intuição, verdadeira liberdade, sabedoria. Sabedoria  criadora.

Segredo último das artes marciais, que não se limitam apenas à técnica de combate.

A verdadeira prática do Zen leva a viver uma vida criadora no mundo do infinito e do absoluto.

O que é infantilismo? As crianças não podem ter uma visão larga e ampla das coisas, nem uma compreensão profunda do futuro. Elas vêem apenas um pequeno ângulo. Assim sendo, compreendem apenas no nível do punho vazio ou da ponta dos dedos.

Nós podemos admirar o reflexo da lua no rio, mas não podemos pegá-la.

Não podemos levar nosso ouro em nosso caixão.

Uma bela mulher sem pele é como um coelho esfolado.

Nossa vida, segundo a expressão chinesa e japonesa, é como uma guerra de liliputianos ou como um combate sobre os chifres de uma serpente.

O lucro, a perda, a sorte, o azar, a pureza, a impureza... tudo isso é como um punho vazio.

(Shodoka, O Canto do Satori imediato - Yoka Daishi, tradução e comentários do Mestre Taisen Deshimaru Roshi, Pensamento)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A essência de Buda

Buda está presente aqui; não precisamos ir ao Pico do Abutre. Não nos iludimos com simples aparências externas. Para mim, Buda não é mera forma ou nome; Buda é uma realidade. Eu vivo com o Buda todos os dias. Quando estou comendo, sento-me com Buda. Quando caminho, vou com o Buda. E quando estou dando uma palestra sobre o darma, também estou vivendo com o Buda.

Eu não trocaria esta essência do Buda pela chance de ver a forma externa dele. Não precisamos procurar às pressas uma agência de turismo, voar par a Índia e subir o Pico do Abutre para ver o Buda. Por mais atraentes que sejam os anúncios das agências, eles podem ser enganosos. Nós temos o Buda diretamente conosco aqui. Sempre que praticamos a meditação andando, podemos tomar a mão de Buda e caminhar com ele. Eis por que no budismo podemos dizer: "Nós desfrutamos de nossa caminhada até a dimensão última, segurando na mão do Buda".

(Thich Nhât Hanh, a energia da oração)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Z E N     D A     P A Z


Zazen - Canto de Sutras - Samu (trabalho coletivo) - compartilhar

Dia 27 de outubro de 2012 - Sábado

Das 7h00 às 12h00


Pedimos aos interessados que tragam frutas, sucos e biscoitos para compartilhar no desjejum

Zendo Brasília - 307 Norte - Bl. B - sala 109




terça-feira, 23 de outubro de 2012

A VIDA É UMA VIAGEM

" A vida é uma viagem" disse o venerável mestre Takeabayashi.  

O que vamos levar dessa viagem? Que novidades iremos contar ao regressarmos ao nosso lar? Onde fica a nossa casa? Será no céu? Só de pensar, há quem deixe de viver e fique só a se preocupar. Xaquiamuni Buda dizia que a vida é como um rio, correndo e fluindo sem parar. Uma gota d'água jamais passa duas vezes pelo mesmo lugar. Todos nós, minúsculos pingos d'água, fluímos na correnteza.

A casa onde ficamos serenos também está fluindo. Não virá depois da morte. Aqui, exatamente agora, estamos nessa casa abençoada, onde há tranquilidade. Isso independe do dinheiro, do amor, do trabalho e da fama. Não há celebridade que recuse um copo d'água em um dia de muito calor. E a gotinha passa, sem deixar marca, ajudada pela graça de fazer parte da rede da vida.

Ninguém pode nos tirar o contentamento de viver cada instante como a gota murmurante que ri de si mesma, fluindo na gargalhada da cachoeira que a derruba em estrondo, virando espuma, nuvem e chuva.

Sempre em casa, sempre ausente. E a felicidade nisso tudo? Só é percebida ao passar? Pode ser sentida em cada silêncio de olhares que se encontram e que se encantam nesse encontrar. Está presente no ato simples de compartilhar ternura, vida e saber.

Não ponha a felicidade para fora. Não a expulse com grito e ódio. Não enterre a felicidade nos vícios e excessos. Felicidade é macia e leve. Com a mente límpida, o coração aberto, as mãos prontas a ajudar, de repente, vemos o que antes era invisível.

Para ser feliz é preciso despertar.

(Monja Coen - Sempre Zen, aprender, ensinar e ser)


sábado, 13 de outubro de 2012

Tocando as cordas do coração

Quando temos uma experiência que nos permite tocar as cordas do coração, sentimos, nesse instante, uma grande alegria, através das palavras ou da nossa mente ou do nosso corpo.  Às vezes  não conseguimos dizer nada, porque tocar as cordas do coração é uma experiência profunda espiritual. Às vezes ela pode ser explicada e, outras vezes, não; mas ela influencia, de fato, sua vida.

Se você tem uma interpretação intelectual ou emocional dessa experiência de "tocar as cordas do coração", essa já é sua experiência individual. Mas antes de sua interpretação, tocar as cordas do coração é, em si, algo muito amplo. Você não consegue dizer nada. Você pode experimentar isso por meio do zazen, do ensinamento do Buda ou em sua vida diária. Você sabe o que é, mas não consegue explicar isso. É algo notável e influencia, diretamente, sua vida. Essa experiência é uma importante sugestão ou um sinal do que fazer, a partir de uma perspectiva muito profunda. Assim, essa experiência é muito importante antes mesmo que sua consciência ou que sua intuição a apreenda. Tocar as cordas do coração é os sentido puro da experiência. Para nós, isso é importante. O budismo sempre enfatiza isso. 

A prática do zen sempre converge para o sentido puro da experiência. Tocar o coração é algo que está completamente além dos limites da satisfação ou da insatisfação individual. Tudo o que você precisa é caminhar, contínua e diretamente, na direção da experiência pura de tocar o coração. Trata-se tão somente de sentar-se, do gassho, do entoar mantras. Mas não ficamos satisfeitos porque sempre fazemos avaliações com nossa consciência. Mas uma coisa avaliada pela consciência nunca o levará a tocar o âmago de sua experiência. 

(Retornando ao silêncio, a prática do zen na vida diária - Dainin Katagiri - Pensamento)

AVISO

Em observância à recomendação do Decreto Distrital, as atividades do Zen Brasília serão temporariamente suspensas, inclusive a Jornada de Z...