quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Silêncio


‎" Durante os períodos de prática e retiro temos a oportunidade de praticar o silêncio absoluto ou, pelo menos, reduzir a fala a dez por cento do normal. Essa prática é muito benéfica, pois não só aprendemos a controlar a fala, mas também podemos refletir e nos ver com maior clareza, e também ver as pessoas que nos rodeiam e a própria vida mesmo. Aproveitemos a oportunidade que proporciona o silêncio para olhar e sorrir para as flores, para o mato, arbustos, pássaros e outros seres humanos. Vocês alguma vez observaram um período de silêncio absoluto por, digamos, cinco dias? Se sim, então já conhecem os benefícios de tal prática. Com o silêncio, um sorriso e a linguagem correta podemos desenvolver a paz em si mesmos e no mundo que nos rodeia." 

Ven. Thich Nhat Hanh

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Raios luminosos

Estamos todos e todas interligados, interconectados. Por exemplo, se faço uma palestra, eu e os participantes a fazemos juntos. Eu não a faço sozinha e os participantes, sozinhos na sala, também não a fazem acontecer. Nós juntos e juntas, a estamos criando.

Tudo que existe é o co-surgir, interdependente e simultâneo. Tudo o que está acontecendo, não acontece por si só, mas devido a causas e condições. As causas e condições geram efeitos. O efeito, a consequência, é causa e condição para outros momentos. Assim forma-se a teia. Uma teia de raios luminosos onde em cada intersecção há uma jóia que emite luz em todas as direções. E nós somos a rede luminosa. Então aquilo que nós falamos, fazemos e pensamos, mexe na teia, assim como a teia mexe em nós. E fazemos escolhas. Temos discernimento e fazemos escolhas.

(Monja Coen Roshi)

domingo, 2 de setembro de 2012

O Dharma é simplesmente aquilo que somos


" Enquanto não nos sentirmos abertos e amáveis, nossa prática está ali nos esperando, e já que na maior parte do tempo não nos sentimos abertos e amáveis, devemos praticar meticulosamente. Essa é a vida religiosa; isso é que é “religião” — embora não precisemos usar tais palavras. É a reconciliação das pessoas e seus conceitos separados, a reconciliação de nossos pontos de vista sobre como deve ser, como as pessoas devem ser, a reconciliação com nossos medos. A reconciliação de tudo que é experiência… de quê? De Deus? Daquilo que simplesmente é? A vida religiosa é um processo de reconciliação, segundo a segundo.

E cada vez que atravessamos essa barreira algo muda dentro de nós. Com o tempo nos tornamos menos separados. E isso não é fácil, porque queremos nos agarrar ao que é familiar: ser separado, ser superior ou inferior, ser “alguém” na relação com o mundo. Uma das marcas da prática séria é estar alerta e reconhecer quando a separação está oc
orrendo. No minuto em que surgir a ideia — mesmo que só de passagem — de julgar outra pessoa, a luz vermelha da prática deve acender.

Todos fazemos algumas ações danosas de que não temos consciência. Mas quanto mais praticarmos, mais veremos aquilo que antes não podíamos ver. Isso não significa que iremos ver tudo — sempre há algo que não podemos ver. E isso não é bom nem ruim; é apenas a natureza das coisas.

Então prática não é só vir a retiros ou meditar toda manhã. Isso é importante, mas não suficiente. A força de nossa prática, e a habilidade de comunicá-la aos outros, depende de sermos nós mesmos. Não precisamos tentar ensinar os outros. Não precisamos dizer uma única palavra. Se nossa prática for forte ela se mostra o tempo todo. Não precisamos falar sobre o Dharma; o Dharma é simplesmente aquilo que somos." - 

Ven. Charlotte Joko Beck 



(retirado de Budismo para Todos)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fala correta - ação correta



"... Assim, eles unem os que estão divididos, e aos que estão unidos estimulam. A concordância os satisfaz; eles se aprazem e regozijam no acordo; e é esse acordo que espalham com suas palavras."

(Palavras de Xaquiamuni Buda sobre fala correta e ação correta)  - foto evento inter-religioso na Catedral da Sé, SP - 2012)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

D E S A R M A R




Como desarmar uma cidade, um estado, um país, uma nação e estender a alegria para toda a Criação? Caberia a quem pedir aos jovens que entregassem as armas e encontrassem caminhos de não-violência?

Na verdade, cabe a cada um de nós. Desarmar a mente e o coração. Desarmar a nós mesmos na maneira de falar: atacada, agressiva, violenta, metida. Desarmar na maneira de nos relacionarmos com o meio ambiente, com o lixo nas calçadas, com os bueiros entupidos, com a cidade violentada. Desarmar-se da maneira de pensar no outro como inimigo, seja pobre, seja rico.

Não há inimigos. A cidade é nossa casa. As pessoas compartilham das mesmas necessidades: ternura, pão, amizade, água.

Amor que pega de leve, envolvendo feito fumaça, mas não pode ser ciumento, guerreiro, matador, vingativo. Amor tem que ser bem doce. Tem sexo e reprodução. Tem vida em fermentação.

(Monja Coen - Sempre Zen - aprender, ensinar e ser)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Coração compassivo

Embora Sidarta fosse compassivo e gentil, também podia ser severo quando a ocasião assim requeresse. Uma pessoa que não pudesse ser auxiliada pelo Buda era alguém sem futuro. Certa vez, Svasti estava presente quando uma rápida, mais impressionante conversa ocorreu entre o Buda e um homem chamado Kesi, um bem-conhecido domador de cavalos.

O Buda perguntou a Kesi: "Você poderia, por favor, explicar-nos como doma seus cavalos?"

"Senhor, os cavalos tem diferentes temperamentos. Alguns são muito dóceis e podem ser domados com o uso de métodos gentis. Outros são ainda muito selvagens e requerem, unicamente, o uso de firme disciplina."

O Buda sorriu e disse: "O que você faz quando encontra um cavalo que não responde a qualquer destes métodos?"

"Senhor, nesta situação, é necessário matar o cavalo. Se for permitido que viva junto com os demais cavalos, ele os contaminará a todos. Senhor, de minha parte, gostaria de saber com o senhor treina seus discípulos."

O Buda sorriu. "Faço o mesmo que você. Alguns monges respondem somente à gentileza. Os requerem firmeza com gentileza. Outros só fazem progresso com disciplina severa."

"E o que o faz no caso de o monge não responder a nenhum dentre tais métodos?"

"Faço o mesmo que você. Eu o mato."

Os olhos do domador de cavalos se arregalaram. "O quê? Você o mata? Pensei que fosse contra matar."

O Buda explicou: "Não o mato no mesmo sentido com que você diz matar um cavalo. Quando uma pessoa não responde a qualquer destes três métodos recém-mencionados, nós recusamos que tal pessoa se junte à sangha dos bhikkhus. Não o aceito como meu aluno. Isso é um extremo infortúnio. Ter recusada a chance de praticar o Dharma na comunidade é perder uma vez em um milhar de vidas. O que significaria morrer para a vida espiritual. Não é lamentável apenas para a pessoa que foi recusada. É muito mais lamentável para mim, pois nutro grande amor e consideração por aquela pessoa. Jamais perco a esperança de que, um dia, aquela pessoa se abra para a prática e volte para nós."

(Velho Caminho, Nuvens Brancas - Seguindo as Pegadas do Buda - Thich Nhat Hanh)

AVISO

Em observância à recomendação do Decreto Distrital, as atividades do Zen Brasília serão temporariamente suspensas, inclusive a Jornada de Z...