sexta-feira, 13 de março de 2020

AVISO

Em observância à recomendação do Decreto Distrital, as atividades do Zen Brasília serão temporariamente suspensas, inclusive a Jornada de Zazen. Retomamos nossas práticas na quarta-feira (25/3) às 19h30.

"Cada um de nós deve esforçar-se por despertar". Nos pequenos e grandes gestos, estejam sempre atentos.

Gassho!

foto: Tatina Hebein

quarta-feira, 4 de março de 2020

JORNADA DE ZAZEN


Um dia inteiro de prática de Zazen, Kinhin e roda do Dharma, além dos nossos deliciosos chás. Você pode entrar e sair durante todo o dia, na hora em que quiser. Novos praticantes são bem vindos. Temos elevador para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. 

Esperamos vocês!

Contribuição sugerida: R$ 20,00.


Foto: Tatiana Hebein


Quando nos sentamos para a prática é importante manter uma imobilidade tão absoluta quanto possível: estar consciente da língua no seu espaço, dos globos oculares, da inquietação dos dedos. Quando eles de fato se movimentam, é importante tomar consciência do movimento. Quando queremos pensar, nossos globos oculares se movimentam. Temos maneiras muito sutis de escapar de nós mesmos. A imobilidade absoluta é para muitos uma instrução restritiva e desagradável. Para mim, é. Depois de ter ficado na prática, sentada por vários períodos, quero fazer alguma coisa, consertar algum objeto, tomar conta do que tiver pela frente. Não deveríamos nos manter tensos ou duros, mas simplesmente manter a imobilidade tanto quanto pudéssemos. Sermos apenas o que somos é a última coisa que queremos fazer. Todos nós temos grandes desejos: de conforto, de sucesso, de amor, de iluminação, de chegar ao estado búdico. Quando vem o desejo, empenhamo-nos, tentando tornar nossa vida algo que ela não é. Por isso, a última coisa que queremos é ficar parados. Na imobilidade absoluta tomamos consciência de nossa falta total de disponibilidade para sermos o que somos neste próprio segundo. E isso é uma coisa muito aborrecida: nós, enfim, não queremos fazê-la, de jeito nenhum. O mestre Rinzai disse: “Não desperdice um pensamento sequer na perseguição do estado búdico”. Isso significa que devemos ser como somos, a cada momento, de um momento para outro. É tudo o que jamais precisaremos fazer, mas o desejo humano é ir em busca de algo mais. Atrás do que nos empenhamos quando sentamos para praticar?


ALUNO: Conforto.

ALUNO: Tentar parar de pensar.

JOKO: Estamos tentando parar de pensar em vez de tomarmos consciência de nosso pensar.

ALUNO: Ter alguma espécie de experiência corporal intensa, um estado alterado de consciência.

ALUNO: Paz.

ALUNO: Ficar mais acordado, menos sonolento. Ou livrar-se da raiva. – Assim que conseguir me livrar desta raiva, chegarei mais perto do estado de Buda. –

JOKO: Ou podemos nos lembrar de uma fase de nossa vida em que as coisas corriam bem, para tentarmos então recuperar essa sensação. Se não tivermos uma única idéia de ir no encalço do estado búdico, o que estaríamos fazendo?

ALUNO: Não nos apegando.

JOKO: Não nos apegando e sendo propensos a ser…

ALUNO: Quem somos e onde estamos.

JOKO: Sim – quem somos e onde estamos, exatamente aqui e agora. Quando nos sentamos para praticar, estamos nos dispondo a fazer isso por mais ou menos três segundos. Depois, quase que imediatamente, já está ali o desejo de movimento, de agitação, de pensar, de fazer alguma coisa.
Nos termos mais simples que consigo encontrar, existem dois tipos de prática. Um é a tentativa de nos aperfeiçoarmos rapidamente. Aumentamos nossa energia, comemos melhor, purificamo-nos de alguma maneira e forçamo-nos a ter uma mente clara. As pessoas pensam que iluminação é o resultado desses esforços, mas não é. Claro, é bom alimentar-se de maneira adequada, praticar exercícios, fazer aquelas coisas que nos tornarão mais saudáveis. E esse esforço de vivermos melhor, de seguir por um caminho que nos levará a alguma parte, pode produzir pessoas que parecem muito santificadas, muito calmas, muito impressionantes.
Do ponto de vista do segundo tipo de prática, no entanto, essa noção de nos transformarmos em algo diferente e melhor não tem sentido. Por quê? Porque sendo apenas como somos está bem. Uma vez, porém, que sermos como somos não parece bom, ficamos confusos, transtornados, raivosos. Essa declaração de que estamos bem sendo como somos e pronto não faz para nós o menor sentido.

Podemos esclarecer essa questão de outra maneira. Se estivermos conscientes de nossos pensamentos, a tendência deles é desaparecer. Não podemos estar conscientes de pensar sem que o pensar comece a minguar, a dissolver-se. Um pensamento é simplesmente um tantinho de energia, mas a ele acrescentamos nossas crenças condicionadas e tentamos depois nos apegarmos ao pensamento. Quando o consideramos da perspectiva de nossa percepção consciente impessoal, ele desaparece. Quando olhamos para uma pessoa, porém, ela desaparece? Não, ela permanece. E essa é a diferença entre realidade e a visão ilusória da realidade que temos, quando vivemos em nossos pensamentos: quando verdadeiramente considerados com atenção, aquela permanece, esta desaparece. A versão pessoal da vida simplesmente se desfaz. O que nós queremos é ser uma vida real. Isso é diferente de se viver como um santo.

Todos nós somos seduzidos pelo fascínio deste tipo de prática: queremos nos tomar outra coisa que não somos. Pensamos que, quando nos sentamos em sesshin, estamos nos transformando em alguma coisa que é uma edição aperfeiçoada. Mesmo quando despertamos para a verdade das coisas, o desejo, bem no fundo, é querer alguma outra coisa que simplesmente não está ali. Não temos de nos livrar de nossos pensamentos; basta que nos mantenhamos olhando para eles. Se procedermos assim, eles se desmancharão no nada. Qualquer coisa que se desmancha no nada não é real. Mas a realidade não desaparece apenas porque estamos olhando para ela.

ALUNO: Não haveria a necessidade de algum tipo de objetivo para que pudesse acontecer um processo afinal, para que se chegasse em algum resultado?

JOKO: O que você quer dizer com “processo”?

ALUNO: Processo é fazer alguma coisa.

JOKO: A percepção consciente é um fazer? Existe uma diferença entre fazer alguma coisa – por exemplo, “Vou ser uma boa pessoa” – e a simples percepção consciente do que estou fazendo. Vamos supor que estou fazendo uma fofoca. Fofocar é fazer alguma coisa, mas a percepção consciente disso não é um fazer, um levar coisas a acontecerem. A base do fazer é o pensamento de que as coisas deveriam ser diferentes do que elas são.

Em vez de dizer a mim mesma “Tenho de me tornar uma pessoa melhor” e tentar fazer isso, eu deveria simplesmente tomar consciência do que estou fazendo – por exemplo, observar que toda vez que encontro uma determinada pessoa eu a coloco de fora. Quando eu tiver me acompanhado fazendo isso uma centena de vezes, algo acontece. O padrão se desarticula, e torno-me uma pessoa melhor, embora eu não tenha agido segundo a instrução da sentença para, ser uma pessoa melhor. A percepção consciente não tem sentenças, não tem pensamentos nesse sentido. É apenas percepção consciente. É isso o sentar na prática: não ficar preso na mente, não entrar na armadilha de esforçar-se para chegar em alguma parte, para tornar-se um Buda.

ALUNO: Parece um paradoxo. Num nível, nossa mente está fazendo algo de forma ativa e, num outro, estamos conscientes do que nossa mente está fazendo. Em que consiste a percepção consciente?

JOKO: No pensamento comum, a mente sempre tem um objetivo, alguma coisa que irá obter. Se nos atolamos nesses projetos do que obter, então, some a percepção consciente da realidade. Teremos substituído a percepção consciente por um sonho pessoal. A percepção consciente não anda, não se enterra em sonhos; ela apenas permanece onde está.

A princípio, a distinção entre o pensamento corriqueiro e a percepção consciente parece sutil e esquiva. Conforme praticamos, contudo, a distinção se torna cada vez mais nítida: começamos a notar cada vez mais como nossos pensamentos são ocupados com a tentativa de chegarmos em algum lugar, e como ficamos prisioneiros deles, de tal modo que não conseguimos mais reparar no que está realmente presente em nossas vidas.

ALUNO: A impressão que dá é que ou estamos observando o que está acontecendo, ou ficamos atolados no conteúdo de nossos pensamentos.

JOKO: Certo. Não há nada de errado com um pensamento em si. É apenas uma dose de energia. Mas quando nos prendemos em seu conteúdo, nas palavras do pensamento, então o teremos arrastado para nossos domínios pessoais e quereremos ficar apegados a ele.

ALUNO: Ficar apegado a um pensamento exige uma crença. Na noite passada, enquanto ia para um certo lugar, minha mente estava repleta de pensamentos e sentimentos. Eu acreditava que estava praticando: eu sabia que estava com raiva, que estava tenso, que estava apressado, e minha pista era eu estar com uma raiva cada vez maior, cada vez mais contrariado. De repente eu disse para mim mesmo: “Qual é a prática neste exato momento?”. E um milhão de pontos de luz iluminou o que estava acontecendo na minha mente. De uma perspectiva completamente impessoal ainda havia o mesmo conteúdo – raiva, pressa, tensão física -, mas nada tinha que ver com a minha pessoa. Era quase como observar uma barata no chão da cozinha.

JOKO: Quando começamos a observar os pensamentos e sentimentos, eles começam a se dissolver. Não conseguem manter-se sem a sustentação de nossa crença neles.

ALUNO: Quando nos atolamos desse jeito nos nossos pensamentos, nosso mundo fica mais estreito. Não temos mais uma perspectiva do todo. Quando levamos nossa percepção consciente para nossos pensamentos, essa estreiteza alarga e os pensamentos restritivos começam a sumir.

JOKO: Sim. Se nossas vidas não estão mudando enquanto vamos praticando, então alguma coisa errada está ocorrendo com o que estamos fazendo.

ALUNO: Quando nos atolamos em nossos pensamentos, geramos ansiedade, não é?

JOKO: Sim. A ansiedade é sempre uma distância entre o modo como as coisas são e o modo como pensamos que elas teriam de ser. A ansiedade é algo que se estende entre o real e o irreal. Nosso desejo humano é evitarmos aquilo que é real e, em lugar dele, estarmos no domínio de nossas idéias a respeito do mundo: “Sou terrível”; “Você é terrível”; “Você é maravilhosa”. A idéia é separada da realidade, e a ansiedade é a distância entre a idéia e a realidade de que as coisas são apenas como elas são. Quando paramos de acreditar no objeto que criamos – que está por assim dizer deslocado para um só dos lados da realidade -, as coisas rapidamente se realinham de volta no centro. É isso que significa dizer que algo ou alguém é centrado. A ansiedade então desaparece de vista.

ALUNO: Parece que fico extremamente tenso com essa tentativa de me ater à percepção consciente.

JOKO: Se você está tentando ater-se à percepção consciente, isso é um pensamento. Nós usamos uma palavra como percepção consciente e em seguida as pessoas tornam-na algo especial. Se não estamos tentando (tente por apenas dez segundos parar de pensar), nosso corpo relaxa, e conseguimos ouvir e observar tudo o que está se passando. No instante mesmo em que paramos de pensar, estamos conscientemente perceptivos. A percepção consciente não é algo que tenhamos de ser – é uma ausência de alguma coisa. O que é a ausência de uma coisa?

ALUNO: Não é que estamos só mudando aquilo de que estamos cônscios? Não acabamos de decidir que sempre estamos conscientes? Minha premissa é que a vida é sempre percepção consciente. Sempre estamos cientes de alguma coisa. Quando nos sentamos na prática (em certo sentido, isso é um paradoxo), temos um objetivo nesse sentar: estamos refocalizando a nossa percepção consciente, talvez tornando-a mais aguda a respeito de algo.

JOKO: Não, isso torna a percepção consciente fazer alguma coisa. A percepção consciente é como o calor que sobe num dia de verão: as nuvens no céu apenas desaparecem. Quando estamos conscientes, o irreal simplesmente desaparece e não temos de fazer nada.

ALUNO: Há mais percepção consciente depois de um sesshin que antes?

JOKO: Não, a diferença é que não a estamos bloqueando. A percepção consciente é o que somos, mas nós a bloqueamos com pensamentos autocentrados: sonhando, fantasiando, fazendo tudo aquilo que queremos fazer. Tentar ser consciente é só o pensamento comum, não é a percepção consciente. Tudo o que precisamos fazer é tomar consciência de nossos pensamentos autocentrados. Finalmente, eles desaparecem na distância e nós restamos apenas ali. Embora se possa dizer que estamos fazendo uma coisa, a percepção consciente não é uma coisa nem uma pessoa. A percepção consciente é a nossa vida quando não estamos fazendo mais nada.

ALUNO: A simples percepção consciente não tem mais nada. Não tem espaço, tempo, nada.

JOKO: Certo, a percepção consciente não tem espaço, tempo, nem identidade – e, apesar disso, é quem somos. No mesmo instante em que falamos dela ela já se foi. Em termos de prática, não temos de tentar ser conscientes. O que temos de fazer é observar nossos pensamentos. Não devemos tentar ser conscientes; sempre somos conscientes, a menos que estejamos aprisionados em nossos pensamentos autocentrados. Essa é a finalidade de rotularmos nossos pensamentos.

ALUNO: Então às vezes estamos conscientemente percebendo e não notamos isso.

JOKO: É.

ALUNO: Talvez a diferença entre os pensamentos comuns nos quais acreditamos e a percepção consciente é que um pensamento em que se acredita não se sustenta na percepção consciente, ele não é reconhecido como um simples pensamento.

JOKO: Certo. Ele não é visto apenas como o fragmento de energia que é de fato. Nós o consideramos real, e acreditamos nele. Então ele começa a dirigir o espetáculo, em vez de a percepção consciente desempenhar esse papel, que é o que deveria acontecer.

ALUNO: Costumo notar a percepção consciente de maneira mais acentuada quando não estava sendo consciente. Por exemplo: de repente me dou conta de que estou no trabalho e nem sei como cheguei lá – e então acordo.

JOKO: Exceto o Buda, todo mundo flutua para dentro e para fora da percepção consciente. Mas quanto mais tempo de prática tivermos, maior a porcentagem de tempo de nossas vidas que será levada na percepção consciente. Duvido que alguém consiga um dia viver totalmente na percepção consciente.

ALUNO: Você disse “quanto mais tempo de prática tivermos-, mas na realidade você estava se referindo à forma com que colocamos a atenção no presente?

JOKO: Sim. É possível praticar sentado por vinte anos e mesmo assim não ter noção do que é essa prática. Mas, se estamos sentando e praticando com a totalidade de nossa vida, então sem sombra de dúvida o montante de percepção consciente aumenta. Eu costumava passar metade da vida devaneando. Era “agradável”.

ALUNO: Durante muitos anos, minha prática sentada consistiu em primeiro me desligar do meio ambiente e depois do meu corpo e depois recitar Mu sem parar. Eu era totalmente consciente de nada.

JOKO: Sim, essa é uma forma de prática concentrada que, para algumas pessoas, produz efeitos rápidos e intensos, muito agradáveis. Não ajuda muito a vida dessa pessoa. De todo jeito, o Mu não tem de ser praticado dessa forma.

ALUNO: Quando focalizo a atenção na percepção consciente, parece que observo mais dor em meu corpo. Mas se eu simplesmente “viajar” não tenho mais problema de dor, nem sinto dor. Depois acordo e tomo consciência, e lá está a dor de novo. Por que a dor desaparece quando eu “viajo”?

JOKO: Bom, nossos sonhos são narcóticos poderosos. Por isso é que gostamos tanto deles. Nossos sonhos e nossas fantasias são viciantes, da mesma forma como as substâncias causadoras de vícios.

ALUNO: Não existe uma separação da realidade se sentimos dor?
JOKO: Não, se a sentirmos totalmente.

ALUNO: Se eu realmente me torno a dor, essa dor simplesmente desaparece. Porém, assim que tenho um pensamento a respeito, sofro. Quando observo a dor e tenho o pensamento que diz que é dolorida, o sofrimento permanece, mas se eu simplesmente a observo como uma sensação intensa, o sofrimento some.

JOKO: Quando conseguimos ver a dor como apenas uma sensação estável com muitas variações mínimas, torna-se interessante e até mesmo bela. Todavia, se nos aproximamos dela com a idéia de que iremos fazê-la sumir, isso é só um outro jeito de ir atrás de um estado búdico.

ALUNO: Quando começo a prática, torno-me consciente em geral de estar muito tenso, com uma dor de aperto por todo o corpo. Sinto-a como algo que está simplesmente ali do outro lado de minha percepção consciente. Durante anos as pessoas viviam me dizendo: “Você está tão tenso”- e eu respondia “Não estou tenso”. Hoje percebo que eu simplesmente não percebia essa tensão, mas estava lá. Eu usava meus pensamentos para bloquear a percepção consciente dela. A tensão e a dor estavam lá, apenas despercebidas.

JOKO: A tensão e a dor são reais? Algo está lá, mas o que é? Uma noite dessas, eu estava andando ao longo da costa, enquanto o luar brilhava sobre a água do mar. Eu conseguia ver um lampejo brilhante de luz sobre o oceano, ou era o luar que realmente estava ali? O oceano realmente tem algo sobre sua superfície? Qual é essa cor? É real ou não? Nenhuma das indagações é correta. De minha perspectiva, o luar estava sobre a água. Mas, se eu tivesse me aproximado mais da tona d’água, não teria visto luar nenhum sobre sua superfície. Eu teria visto qualquer coisa que ali houvesse para se ver. Não existe isso de luar sobre a água, literalmente falando. Quanto às nuvens do céu: quando estamos numa nuvem, chamamo-la de névoa. Da mesma forma, emprestamos um tipo de falsa realidade a nossos pensamentos. É verdade que sempre vivemos dentro de uma determinada perspectiva. A prática diz respeito a aprender a viver nessa realidade relativa, desfrutando-a, mas enxergando-a como de fato é. Como o luar sobre a água, está lá – segundo uma certa perspectiva relativa – e não é real, não é o absoluto. Até mesmo a água em si tem apenas uma realidade parcial. Quando não há luz sobre a água, vemos que ela é preta. Um dia eu estava jantando num restaurante que ficava na orla marítima e a vi mudar de cor, de azul para azul-escuro, para púrpura ainda mais escuro e finalmente não consegui mais vê-la. O que é real? Em termos absolutos, nada disso é real. Em termos de nossa prática, no entanto, devemos começar com nossas experiências, com este trabalho meticuloso sobre a percepção consciente. Precisamos retornar à realidade de nossas vidas. Temos dores e padecimentos, temos adversidades, gostamos das pessoas ou não: esse é o conjunto de coisas que compõe a nossa vida. É aí que começa nosso trabalho com a percepção consciente.

Texto de Charlotte Joko Beck, extraído do livro”Nada Especial“

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Zen Brasília - Nova programação



Foto: Tatiana Heiben



O Zen Brasília informa que em março terá nova programação! A partir deste domingo (1/3) será realizada semanalmente a CERIMÔNIA LONGA (tchoca completa) a partir das 8h. O Zazen para Iniciantes continuará sempre às 10h aos domingos, sendo que no último domingo de cada mês será realizado, logo após a cerimônia, o ZAZEN NA CIDADE: os praticantes serão convidados a realizar o Zazen em diferentes lugares de Brasília. Confira abaixo o calendário semanal fixo completo:

▪️Todos os domingos, a partir de 1/3 às 8h - Cerimônia longa (tchoca completa)


▪️Domingos às 10h - Zazen para iniciantes


▪️Último domingo do mês às 10h - Zazen na Cidade


▪️Quartas às 19h30 - Zazen


▪️Quintas às 7h - Zazen e cerimônia (tchoca curta)


▪️Sextas às 19h30 - Zazen para iniciantes

Todos e todas são muito bem vindos! 
Gassho!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Zazenkai



Zazenkai
26 de janeiro de 2020
Aniversário de Mestre Dogen Zenji


"Na prática do Caminho é necessário aceitar os ensinamentos verdadeiros de nossos predecessores, colocando de lado nossas idéias pessoais.

O Caminho não pode ser realizado com a mente ou sem ela. A menos que a mente da prática constante seja uma só com o Caminho, nem o corpo nem a mente conhecerão paz. Quando o corpo e a mente não estão em paz, eles se tornam obstáculos à iluminação." (Mestre Dogen Zenji)
Fotos: Marcela Lopes e Sílvia Gomide


























quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Práticas regulares - ZEN BRASÍLIA

ZEN BRASÍLIA

Práticas regulares de Zazen
(Meditação Zen Budista)



Quartas - 19h30
Quintas - 7h
Sextas (instruções para iniciantes) 19h30
Domingos (instruções para iniciantes) 10h


Meditar - saborear um chá
Compartilhar!


Todos são bem-vindos!

Foto: Tatiana Rehbein




sábado, 21 de dezembro de 2019

Amigos(as) do Zen Brasília

Estaremos em recesso de 23/12/2019 a 07/01/2020



Retorno dia 08/01 - às 19h30 - Zazen


A paz do indivíduo será a paz do mundo!

Gassho!




(Foto: Tatiana Rehbein)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Nos sentamos 7 dias e 7 noites, 
seguimos até surgir a estrela da manhã.

Homenagem a Xaquiamuni Buda.

Homenagem a Mahaprajapati, e toda linhagem das Mulheres.

Gassho!






🙏🙏🙏

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

No Budismo, as dificuldades são verdadeiras oportunidades


foto: povos do Xingu - MT - acervo C imi


Usando nossas dificuldades e problemas para despertar nossos corações


Comentário de Pema Chödrön:

Quando li pela primeira vez os ensinamentos de lojong (“treinamento da mente”) em O Grande Caminho do Despertar pelo professor tibetano do século XIX Jamgön Kongtrül, o Grande, fiquei impressionada com a mensagem incomum deles de que podemos usar nossas dificuldades e problemas para despertar nossos corações. Em vez de ver os aspectos indesejáveis ​​da vida como obstáculos, Jamgön Kongtrül apresentou-os como a matéria-prima necessária para despertar a compaixão genuína e descontrolada. Ao passo que, no comentário de Kongtrül, a ênfase está principalmente em assumir o sofrimento dos outros, é evidente que nesta era atual é necessário também enfatizar que o primeiro passo é desenvolver a compaixão por nossas próprias feridas.

É a compaixão incondicional por nós mesmos que leva naturalmente à compaixão incondicional pelos outros. Se estivermos dispostos a nos apoiar totalmente e a nunca desistirmos de nós mesmos, poderemos nos colocar no lugar dos outros e nunca desistir deles. A verdadeira compaixão não vem do desejo de ajudar os menos afortunados que nós mesmos, mas de percebermos nosso parentesco com todos os seres.

Os ensinamentos de lojong são organizados em torno de sete pontos que contêm cinquenta e nove slogans expressivos que nos lembram como despertar nossos corações. Aqui apresentamos dezenove desses slogans:

Primeiro, treine nas preliminares.

As preliminares também são conhecidas como os quatro lembretes. Em sua vida diária, tente:

1. Manter uma consciência da preciosidade da vida humana.

2. Esteja ciente da realidade que a vida termina; a morte vem para todos.

3. Lembre-se de que o que você faz, virtuoso ou não, tem um resultado; o que vai volta.

4. Contemplem que, enquanto você estiver muito focado em auto-importância e muito envolvido em pensar em como você é bom ou ruim, você sofrerá. Obcecar-se em conseguir o que quer e evitar o que não quer não resulta em felicidade.

Considere todos os dharmas como sonhos.

O que quer que você experimente em sua vida – dor, prazer, calor, frio ou qualquer outra coisa – é como algo acontecendo em um sonho. Embora você possa pensar que as coisas são muito sólidas, elas são como passar memória. Você pode experimentar essa qualidade aberta e não definida na meditação sentada; tudo o que surge em sua mente – odeia amor e todo o resto – não é sólido. Embora a experiência possa ser extremamente vívida, é apenas um produto da sua mente. Nada sólido está realmente acontecendo.

O envio e a tomada devem ser praticados alternadamente. Esses dois devem respirar.

Esta é uma instrução para uma prática de meditação chamada tonglen . Nesta prática, você envia felicidade aos outros e aceita qualquer sofrimento que os outros sintam. Você aceita com uma sensação de abertura e compaixão e manda no mesmo espírito. As pessoas precisam de ajuda e, com essa prática, nos estendemos a elas.

Conduza todas as culpas em uma.

Este é um conselho sobre como trabalhar com seus semelhantes. Todo mundo está procurando alguém para culpar e, portanto, a agressividade e a neurose continuam se expandindo. Em vez disso, pare e olhe o que está acontecendo com você . Quando você se agarra com tanta força à sua visão do que eles fizeram, você fica viciado. A sua própria justiça faz com que você se acostume e sofra. Portanto, trabalhe para resfriar essa reatividade em vez de aumentá-la. Essa abordagem reduz o sofrimento – seu e de todos os outros.

Seja grato a todos.

Outros sempre mostrarão exatamente onde você está preso. Eles dizem ou fazem alguma coisa e você automaticamente fica preso a uma maneira familiar de reagir – desligando, acelerando ou ficando todo nervoso. Quando você reage da maneira habitual, com raiva, ganância e assim por diante, isso lhe dá a chance de ver seus padrões e trabalhar com eles de forma honesta e compassiva. Sem outros te provocando, você permanece ignorante de seus hábitos dolorosos e não pode treiná-los para transformá-los no caminho do despertar.

Todo o dharma concorda em um ponto.

Todos os ensinamentos budistas (dharma) são sobre diminuir a auto-absorção, o apego ao ego. Isso é o que traz felicidade para você e para todos os seres.

Das duas testemunhas, segure a principal.

As duas testemunhas do que você faz são os outros e você mesmo. Destes dois, você é o único que realmente sabe exatamente o que está acontecendo. Portanto, trabalhe com a visão de si mesmo com compaixão, mas sem qualquer auto-engano.

Sempre mantenha apenas uma mente alegre.

Aplique constantemente alegria, se não por outro motivo, porque você está neste caminho espiritual. Tenha um sentimento de gratidão por tudo, até mesmo emoções difíceis, devido ao seu potencial de acordá-lo.

Abandone qualquer esperança de fruição

A instrução chave é ficar no presente. Não seja pego na esperança de que você vai conseguir e quão boa a sua situação será algum dia no futuro. O que você faz agora é o que importa.

Não seja tão previsível.

Não guarde rancor contra aqueles que fizeram você errado.

Não difame os outros.

Você fala mal dos outros, pensando que vai fazer você se sentir superior. Isso só semeia sementes de maldade em seu coração, fazendo com que os outros não confiem em você e o façam sofrer.

Não leve as coisas a um ponto doloroso.

Não humilhe as pessoas.

Não aja com uma torção.

Agir com uma reviravolta significa ter um motivo ulterior de se beneficiar. É a abordagem sorrateira. Por exemplo, para conseguir o que você quer para si mesmo, você pode temporariamente levar a culpa por algo ou ajudar alguém.

Todas as atividades devem ser feitas com uma intenção.

Seja o que for que você esteja fazendo, tome a atitude de querer, direta ou indiretamente, beneficiar os outros. Tome a atitude de querer aumentar sua experiência de parentesco com seus semelhantes.

Qualquer um dos dois ocorre, seja paciente.

O que quer que aconteça em sua vida, alegre ou doloroso, não seja eliminado pela reatividade. Seja paciente consigo mesmo e não perca seu senso de perspectiva.

Treine nas três dificuldades.

As três dificuldades (ou, as três práticas difíceis) são reconhecer sua neurose como neurose, não fazer a coisa habitual, mas fazer algo diferente para interromper o hábito neurótico e fazer dessa prática um modo de vida.

Não interprete mal.

Há seis ensinamentos que você pode interpretar erroneamente: paciência, desejo, entusiasmo, compaixão, prioridades e alegria. As interpretações erradas são:

1. Você é paciente quando isso significa que você conseguirá o que quer, mas não quando sua prática despertar desafios.

2. Você anseia por coisas mundanas, mas não por um coração e uma mente abertos.

3. Você se empolga com a riqueza e o entretenimento, mas não com o seu potencial para a iluminação.

4. Você tem compaixão por aqueles que gosta e admira, mas não por aqueles que não gosta.

5. O ganho mundano é a sua prioridade, em vez de cultivar a bondade amorosa e a compaixão.

6. Você sente alegria quando seus inimigos sofrem, mas você não se alegra com a boa sorte dos outros.

Não vacile

Se você treinar para despertar a compaixão apenas algumas vezes, isso retardará o processo de dar à luz a certeza. Treine de todo o coração para manter seu coração e mente abertos a todos.

Treine de todo o coração.

Treine entusiasticamente no fortalecimento de sua capacidade natural de compaixão e bondade amorosa.

O artigo acima foi extraído de “A caixa da compaixão” por Pema Chödrön, © 2003. Publicado por acordo com Shambhala Publications.

domingo, 3 de novembro de 2019

I Jornada de Zazen

I  Jornada  de  Zazen

Manhã e tarde de meditação - 7h às 18h 
As sessões serão de 20 ou 30 minutos 
Intervalos entre as sessões de 10 min. 
Você poderá entrar ou sair da sala durante os intervalos 

Será servido chá, café, frutas. 

Entre nesta jornada conosco! 

Mais informações: brasiliazenbrasilia@gmail.com








sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Zazen para iniciantes - NOVO ENDEREÇO


Quando vemos expressões de intolerância, ódio, opressão e má vontade em nossas próprias mentes - tanto em nossa comunidade quanto no mundo - juramos, como indivíduos e como sangha, responder com pensamentos, 
palavras, ações amorosas.

Que juntos possamos aliviar o medo, o ódio, o egoísmo e a ilusão em nosso mundo.
(Declaração de inclusão - Zen Mountain Monastery)



arte: Gabriel Saikan Shimura

AVISO

Em observância à recomendação do Decreto Distrital, as atividades do Zen Brasília serão temporariamente suspensas, inclusive a Jornada de Z...